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FERNANDO RAMOS

Minha Poesia

FERNANDO RAMOS

Minha Poesia

878 - DE TAÇA NA MÃO

02
Out18

 

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  • 878 - DE TAÇA NA MÃO
  •  
  • No meu bairro junto à casa
  • Do homem negro
  • Critica-se quem nos governa.
  • E ali no restaurante do homem de bem
  • Apetece chorar e ninguém chora
  • Apetece falar e poucos falam
  • E o preto de taça na mão
  • Observa à sua porta
  • Aquela gente que se junta
  • Dentro do desespero do momento
  • Murmurando porque elegerem
  • Quem lhes mentiu e faz mal
  •  
  • E este triste acto dá vontade
  • De falecer a quem vive
  • Dentro da miséria
  • Porque é nesse estado
  • Que caminha um povo
  • Que traçava rotas sem desvios
  • E que mais uma vez acreditou
  • Já tendo esquecido um passado
  • Que nunca imaginava que voltaria
  • Mergulhado nas lágrimas da fome
  • Perdendo mais uma vez
  • O perfume da esperança
  • E a oportunidade da mudança
  •  
  • Somos um povo
  • Que não deixa de acreditar e sonhar
  • P`ra que seu sonho se realize
  • No galho mais alto
  • Do ambicionado ninho da liberdade
  • Tantas vezes ansiada
  • Na casa do preto de taça na mão
  •  
  • De: Fernando Ramos