Minha Poesia

06
Ago 18

 

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  • 860 - OS AMIGOS DA POBREZA - 1
  •  
  • Os Banqueiros do mundo inteiro
  • Decidiram num um acto de coragem
  • Organizar um evento
  • Resolvendo convidar a sumidade
  • Da alta finança e da sacanagem
  • Para alimentar a pobreza
  •  
  • A mesma pobreza que anos a fio
  • Não deixa de entregar
  • As suas parcas moedas,
  • Provenientes dos seus magros salários
  • À guarda dos referidos Banqueiros
  • Pessoas impolutas e insuspeitas
  • Afirmo eu desde já!
  • P´ra que, caridosamente se ajuda-se os pobres
  • A gerirem sua vida de forma agradável, como:
  • Empestando-lhes dinheiro, e mais dinheiro
  • Nem Mais!
  • E, entregando-lhes cartões de crédito
  • Se possível, em quantidade apreciável
  • Sempre a troco de pouca coisa
  • Só… da hipoteca da sua habitação
  •  
  • Os Banqueiros então resolveram
  • Generosamente organizar um grande
  • Jantar dançante
  • E para os ajudar nas despesas
  • Que iriam ter com os pobres
  • Convidaram uns amigos!
  • Alguns Presidentes e ministros,
  • Que são, quem sempre está disponível
  • Em ajudar com o dinheiro dos impostos
  • Da pobreza (claro!).
  • Algum Banqueiro que esteja em dificuldade
  • Para não levar o banco à falência
  •  
  • Convidaram também, e merecidamente diga-se
  • Quase todos os especuladores,
  • E até alguns traficantes de toda a espécie,
  • Tudo gente de elevado nível, social e até cultural
  • E tudo isto em homenagem aos pobres
  • Quem generosamente tem engordado
  • Anos, e anos seguidos… os Banqueiros.
  •  

        Foi também convidado para a festança

  • A imprensa, escrita e televisionada
  • Pois o mundo deveria de ter conhecimento
  • de tal acto generoso promovido pelos Banqueiros.
  • Tudo em directo para todos os países
  •  
  • Realizou-se o Jantar e dançou-se o Rock,
  • O Fank, o Tango, o Tiro-liro-liro e até o Samba
  • E ficou acordado entre os Banqueiros
  • Que o dinheiro ali realizado, (claro depois de deduzida
  • As respectivas despesas), seria para ser
  • Investido num fundo a 20 anos,
  • Para no fim desse tempo, se ainda houvesse dinheiro
  • Se comprar arroz, legumes, batatas e pilhas eléctricas
  • Para auxiliar a pobreza, e se ainda sobra-se
  • Uns dinheiritos, os Banqueiros por cortesia
  • Abriam uma conta nos seus bancos
  • A todos os pedintes, sem abrigos e arrumadores
  • A fim de depositarem as suas economias diárias.
  •  
  • Realizou-se o jantar, dançou-se comeu-se muito bem
  • Bebeu-se whisky, uns conhaques
  • Um champanhe Francês, e ainda
  • Se ofereceu-se umas “ganzas” à mistura,
  • Tudo em favor dos pobrezinhos do planeta
  • Foi muito bonito e comovente ver os Banqueiros felizes,
  • Por terem realizado com êxito tamanha solidariedade
  • No final da Jantarada dançante cantou-se o hino do Capital
  • E gritou-se vivas e loas aos grandes amigos
  • Da pobreza... OS BANQUEIROS
  •  
  • de: Fernando Ramos
publicado por Fernando Ramos às 19:29

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