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FERNANDO RAMOS

Minha Poesia

FERNANDO RAMOS

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27
Out17

681 - A LOUCURA DO HOMEM BRANCO - (coroa de sonetos)

Fernando Ramos

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  • 681 - A LOUCURA DO HOMEM BRANCO – (COROA DE SONETOS)

    1

    A loucura do homem Branco
    Nos séculos intensos de escravidão
    Cometeu actos que envergonham tanto
    Que ao saber-se, provoca emoção

    Negros, em tombadilhos eram levados
    Nas condições mais miseráveis
    Muitos chegavam despedaçados
    Os vivos, em estados deploráveis

    Ali, dignidade humana não existia
    P'ra aqueles pobres infelizes, coitados
    Cujo seu futuro nas viagens morria

    Nem podiam gemer ou gritar seus ais
    Suportados p'los seus corações chorados
    Por serem tratados como animais

    2

    Por serem tratados como animais
    E não por simples boa gente
    Uns, teriam mortes brutais
    Mas p’ro Branco era indiferente

    Nas sanzalas, esperava-lhes o tronco
    E vil chibatadas sem fim
    Dadas por um feitor bronco
    Ordenadas p’lo seu senhor, ruim

    Ali, multidões de negros cambaleavam
    Dançando e fugindo da maldita chibata
    E, enganando a fome que a vida roubava

    Serviam, desbravadores e colonizadores
    Que os compravam a negreiros de vida farta
    Como bons escravos e óptimos trabalhadores

    3

    Como bons escravos e óptimos trabalhadores
    Suportavam em desprezo a fúria do algoz
    Que contratava loucos matadores
    P’ra lhes dar louca perseguição feroz

    Por vezes, algumas fugas sucediam
    Procurando os caminhos do quilombo
    Capitães do mato os perseguiam
    Com o estalar da chibata, em seu lombo

    Capturados, iam prós cativeiros
    Onde lhes esperava farta tortura
    Das vergastadas, seus companheiros

    Com tal acto, o Branco, seu senhor
    Escrevia o horrível destino da loucura
    Por linhas tortas, no livro da imensa dor

    4

    Por linhas tortas, no livro da imensa dor
    Registaram-se actos de total crueldade
    Hoje imagina-se como era aterrador
    Envergonhando a nossa sociedade

    P’ra quem vivia nos cativeiros senhoriais
    Nada era mais importante que a liberdade
    A fuga eram momentos bem especiais
    Prós Negros guerreiros, e sua irmandade

    Com instrumentos de ferro, torturavam
    Os pobres infelizes, da pele de outra cor
    Que no tronco, carrascos os matavam

    Sem dó, nem piedade e razão
    Sob as ordens de tão mau senhor
    Que era dono, e rei da escravidão

    5

    Ele era dono, e rei da escravidão
    E servia panos p’rás mortalhas
    Dos Negros desprezados, por sua mão
    Que morriam de ódio, nas esteiras de palhas

    Seu senhor, tanto desamor distribuía
    Por aqueles infelizes de cor diferente
    Que suas alforrias não conseguia
    Mas chibatadas, recebiam de presente

    A raiva crescia, crescia como erva daninha
    Em Negras que pariam filhos já cativos
    P’ra serem roubados por triste gentinha

    E negociados por negreiros manhosos
    A outros senhores de corações perdidos
    De muito dinheiro, e todos poderosos

    6

    De muito dinheiro, e todos poderosos
    Compravam porões de navios negreiros
    Vindos da pátria dos Negros saudosos
    Que não voltariam aos seus terreiros

    Novos e velhos vinham amontoados
    Em estados miseráveis p’rás suas vidas
    Chegavam de mares, muito maltratados
    Alguns morriam, por causa das feridas

    Os mais saudáveis, valiam bom dinheiro
    Enchendo o bornal dos comerciantes
    Que enriqueciam à conta do cativeiro

    Do infeliz Negro, tanto escravizado
    Como ele, nunca fora antes
    P’ra graça dum futuro arruinado

    7

    P’ra graça dum futuro arruinado
    Nos Engenhos do novo patrão
    Onde labutavam sem direitos dado
    Recebendo em troca má alimentação

    Todos os dias trabalhavam de sol a sol
    Comandados p’las chibatadas do feitor
    Que não tinha coração mole
    E os açoitava sem qualquer pudor

    P’ra total vergonha do homem Branco
    Que deixava cometer tal crueldade
    Nestes infelizes que sofriam tanto

    Roubando-lhes pureza, e dignidade
    Fazendo-os sofrer, por tal maldade
    Elevando-lhes desprezo, e animosidade

    8

    Elevando-lhes desprezo, e animosidade
    Que os fazia, aprender a lutar: A capoeira
    Sua arma de esperança e liberdade
    Quando fugiam da Sanzala matreira

    Onde por vezes a porta não tinha retorno
    Por causa de lutas com o capitão do mato
    Vencendo, ou morrendo nas mãos do dono
    Seu rei e senhor, causador de tão mau trato

    E em fuga, nos rios banhavam a dor
    Que lhes consumia a alma humana
    Lamentando sua sina, e aquele terror

    Que em cânticos, bem o descreviam
    Nos rituais, da lembrança Africana
    Cujo seus corações, nunca esqueciam

    9

    Cujo seus corações, nunca esqueciam
    Chorando nas danças de roda, sua dor
    E ao som do batuque, lágrimas vertiam
    De volta da fogueira, sob o olhar do feitor

    Se ódio a mais, atrapalha corações
    Nas Sanzalas, os Negros assim viviam
    Guardavam-no, p’ra certas ocasiões
    Ofertando ao carrasco, quando podiam

    Prós Negros, a tortura era companheira
    E também tristeza, sua solidão
    Confessada nas noites à lua faceira

    Que tudo espiava, com as estrelas coloridas
    Olhando em baixo, a chibata sem razão
    E as lágrimas das Negras, mantidas cativas

    10

    E as lágrimas das Negras, mantidas cativas
    São pétalas de lindos poemas, que rolam
    Nos rostos amargurados de fadigas
    P’la perda de filhos, que não as consolam

    Seus paradeiros, elas desconheciam
    Por negociantes os terem vendidos
    A sanzalas, onde outros padeciam
    Da loucura dos espíritos de rumos perdidos

    Mãe Negra, transportava sua vida tristonha
    Onde por vezes de escrava, era amante
    Do senhor, que as emprenhava sem vergonha

    Destruindo-lhes, a doce e bonita pureza
    De sua juventude bela e ofegante
    Roubada p’lo patrão, de baixa esperteza

    11

    Roubada p’lo patrão, de baixa esperteza
    Aumentando-lhes o desejo de resistir
    E num grande acto de bravura e nobreza
    Conseguiam por vezes, das fazendas fugir

    Daquelas ignóbeis vidas escravizadas
    Que eram seus destinos consumados
    Fazendo surgir revoltas bem preparadas
    Não sendo mais no tronco, flagelados

    Acabando a escravidão em alguns lugares
    Onde senhores não mais atemorizavam
    Vidas que eram tristes e tão irregulares

    Dos Negros, que conquistaram liberdade
    Aos senhores que os escravizavam
    Começando aí, a vitória da igualdade

    12

    Começando aí, a vitória da igualdade
    P’ra homens, e mulheres de Negra cor
    Que sofreram más doenças da sociedade
    Espalhando miséria, nesse tempo de pavor

    E nas orvalhadas gélidas das noites
    Havia almas que tremiam de frio
    Só de recordarem os estalares dos açoites
    Dados por reles feitores, dias a fio

    Os espíritos dos seus antepassados
    Também bailavam ao som da dor
    Do batuque dos Negros castigados

    Registando-se nos livros da história
    A incrível mão pesada do vil senhor
    Gravada com tristeza na nossa memória

    13

    Gravada com tristeza na nossa memória
    Lembrando os açoitados até à morte
    Que só queriam ser livres, p’ra sua glória
    E voar como pássaros, rumo a nova sorte

    Buscando o destino de novos ninhos
    Sonhando, sonhando, com a liberdade
    Não a conseguindo, os Negros cativos
    Suas alforrias perdidas na adversidade

    O Negro era tratado como um animal
    Que dos senhores, era sua propriedade
    Vendiam ao trocavam-nos, e tudo era legal

    P’ra estes esclavagistas de tanto terror
    Que tratava o irmão com inferioridade
    Escrita na história em letras de horror

    14

    Como a história descreve, em letras de horror
    Juntamente com escravizados, da antiguidade
    Que eram Brancos, e sofriam da mesma dor
    P’lo desrespeito do homem, e da sua bestialidade

    Aí, Negros e Brancos viviam em solidões feridas
    Perdendo a mística de suas doutrinas
    Aprendidas em infâncias, puras e cristalinas
    Castradas por maldades então distribuídas

    P’los mesmos odiosos que a história fala
    Deixando más memórias, que hoje dói
    Perturbando-nos a alma, que não se cala

    Causando manchas descobertas de pranto
    Á vida humana, onde a grande culpa foi
    Da horrivel loucura do Homem Branco

    De: Fernando Ramos

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