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FERNANDO RAMOS

Minha Poesia

FERNANDO RAMOS

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644 - CANSADO E PESADO

Fernando Ramos, 14.06.22

 

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  • CANSADO E PESADO
  •  
  • Um corpo velho e pesado,
    sentado num banco de jardim
    tem seus braços caídos
    sobre a madeira velha e podre,
    onde a vai acariciando
    Ele aprecia a fresca tarde da cidade,
  • e o movimento dela é como uma teia
  • que a vai rodeando

  • O velho saboreia o tempo,
    talvez o pouco tempo que lhe resta
    Seu rosto enrugado p’los dias, e anos
    já consumido de sua vida,
    mostra traços de sofrimento,
    bem vincados em sua pele
  • Ele olha o horizonte
    onde uma arvore teimosamente 
    faz sombra no seu caminho
    E no seu profundo olhar
    nota-se a solidão,
    solidão sua fiel companheira

  • E aquele corpo pesado, 
    e sem qualquer abrigo,
    recebe os pingos de chuva
  • de um inverno,
    tão agreste como sua existência
  • Em seus lábios um silêncio,
    um profundo silêncio de pedra
    tão brando como sua presença
    naquele banco de jardim
    Onde o desejo amargo da vida,
    se faz notar no seu olhar profundo, 
    bem profundo, 
    entristecendo mais o velho
    de corpo cansado e pesado
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  • Fernando Ramos