Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

FERNANDO RAMOS

Minha Poesia

FERNANDO RAMOS

Minha Poesia

614 - O AÇÚCAR DO MUNDO

Fernando Ramos, 27.04.22
  •  

    614 fr.jpg

    O AÇÚCAR DO MUNDO

  •  
  • Grito por ti meu irmão,
    grito que vem bem de dentro
    das profundezas do desespero
    Grito que voa em direcção 
    dos senhores do mal,
    da guerra, do ódio, do dinheiro fácil
    Um grito em favor de quem 
    não tem mais lágrimas que foram
    saboreadas, mastigadas como pedaço
  • de pão.
  • Pão que falta no regaço do infeliz, 
    do pobre, que sofre, sofre
  • e tu sem compaixão
  • Ouve o desprezo, ouve o horror, 
  • ouve o povo fluindo de dor,
  • em milhões de lágrimas choradas
  • Tu nada mereces
    nem sequer o cantar da cotovia, 
    ou o manso prazer da sombra 
    do monumental e velho Sobreiro
    Não mereces a simples gota de chuva
    Não ouves o terror, 
  • o grito da criança, filha da desgraça,
    a gemer com sua mãe,
    como será possível?
  •  
  • Tu que te vais banqueteando 
    em manjares de rei,
    não vês a teu lado a fome que causas,
    não tens um pouco de preocupação
    Não tens o prazer da caridade, nada vales
    És apenas uma simples coisa, 
    para os justos, nada serves
  •  
  • Não sabes o que é o açúcar do mundo
    Vê como é bonito o sorriso da menina,
    o olhar da mãe, o dar a mão a um irmão
    Vê como é bonito ler Homero, Shakespeare,
    Camões, os Amores de Flor Bela Espanca,
    ouvir Mozartt, um concerto de Chopin, 
    ou sentir o arrepiar da pele 
    pela emoção de um fado de amor, e vida

  • Vê como é bonita a natureza,
    vê como é bonito a gloria de Deus 
    Tu não sabes o que isso é, 
    só sabes o menos importante, 
    olhar o monte vazio de amor,
    o tilintar das moedas,
    o rufar dos canhões que te trás poder
    Tu não prestas, és a tristeza da vida 
    Tu não tens futuro
  •  
  • De: Fernando Ramos