Minha Poesia

26
Fev 17

    

 

LISBOA E OS PREGOEIROS

 

Ao fim da noite fria
Aparece o sol p’la aurora
Banhando Lisboa de alegria
P´ra se ouvir pregões dessa hora

 

Brilhavam tantos corações,
Ao se apregoar a linda Sardinha
Mais, da Fava Rica das ilusões
E do grito, “Olha a Baunilha”

 

Na Lisboa de outra era
Também havia o Funileiro
A Língua da Sogra, que não era fera
E a sorte grande do Cauteleiro

 

Não faltavam sonhos, nem fantasia
Aos bonitos pregões dos Alfacinhas
Era a Mouraria em perfeita magia
Cantada em fados, nas Tasquinhas

 

Lá estava o Ferro Velho, cantor
Mais o da Palha Barata
O Queijo Saloio, e o Amolador
Dessa Lisboa pouco farta

 

Não faltava petiscos p´ra bem comer    
E apregoava-se Bolinhas de Berlim,
Tantas iguarias p’ra Vender
Como o Carapau do mar sem fim    

 

E o Azeiteiro vinha de burro
Apregoar Azeite, e petróleo 
Vendia luz num sussurro
Com mãos bezuntadas de óleo

 

Também se ouvia na voz rouca
“Quem quer figos, quem quer almoçar
Ó figuinho da capa rota”
E como era bonito, o povo trautear

 

E as senhoras lá das ruas,
Curvavam-se todas ás janelas
Olhavam no Tejo as faluas,
Quem as via, gostava delas

 

Era assim Lisboa de outras épocas
Na sua limitada liberdade
Pregoeiros, eram de horas certas
Hoje não existem, ficou a saudade

 

Esta bela música Lisboa perdeu
E quase se foi a rica tradição
O povo sem ela emudeceu
Vivendo órfão do bonito pregão

 

De: Fernando Ramos

 

publicado por Fernando Ramos às 19:01

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