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FERNANDO RAMOS

Minha Poesia

FERNANDO RAMOS

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508 - ESPELHO SEM DÓ

Fernando Ramos, 27.12.21

   

508 fr.jpg

  • ESPELHO SEM DÓ
  •  
  • Estás sentada, 
    e na tua frente o espelho
    Olhas o rosto, 
    e reparas nas tuas rugas, 
    e pensas: 
    Como o tempo passou meu Deus!
    E notas que ruga após ruga
    há nelas histórias de tua vida,
    escritas num livro 
    onde diariamente deixas momentos 
    vencedores e vencidos,
    até o inicio de vida a dois lá está
  • quando eram ingênuos, e daí?...
  • pensas!
  •  
  • Um grande amor te aconteceu
    e contigo vive até hoje,
    apesar de já ter passado alguns anos
    Anos de muitos altos e baixos,
    anos que trazem lembranças 
    de bons e menos bons registos
    Olhas p’ro lado do espelho
    e vês fotos de quando eras 
    muito mais nova
    Uma lágrima cai no teu infinito,
    e voa numa leve brisa de tristeza
  • De repente, te lembras dos filhos, 
    aí sorris... 
    Sentes saudades das suas meninices, 
    ou quando em bebés te sugavam os seios,
    na sua sofreguidão de viver , 
    oferecendo-te um feliz natal à vida
    Isso por momentos te conforta,
    mas novamente a tristeza surge
  • em teu rosto 
    Outra ruga que teimosamente se vinca 
    na tua pele, traz mais recordações 
    menos positivas, 
    como quando foi a saída 
    dos filhos do teu lar, 
    porque também eles 
    encontraram o seu grande amor
  •  
  • E outra lágrima acontece, 
    mas esta não chega 
    ao teu infinito diário de recordações
    Porque apesar de estares menos jovem,
    contigo ainda está o amor de tua vida,
    que o preservas como um acto de posse
    e que, ainda te preenche as noites 
    e te as torna sempre doces, 
    nem que seja só
  • p´ra te aconchegares a seu peito 
  • e sentires seu calor, e o seu respirar,
  • recordando que e só tu e ele
  • sabem dos tantos enlaços 
  • E, então, com um sorriso 
    lembras-te que na morna luz da tarde,
    com ele passeias todos os dias 
    p’lo parque verde do bairro, 
    onde tantas, e tantas vezes se amaram, 
    como um poema de Florbela Espanca
  •  
  • Maldito espelho sem dó, 
    pensas:
    Porque me envelheces?
    E outra lágrima cai 
    no teu colorido jardim 
    de lembranças

    De: fernando ramos
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