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FERNANDO RAMOS

Minha Poesia


30.06.21

 

 

 

ANA ROSA

 

Nos meus tempos de estudante
p´lo Bairro Alto eu andava
E à porta de uma taverna
conheci Ana Rosa
Era uma mulher feita e fogosa

de corpo de alguma formosura

E num vão de escada

de um prédio velho,

ela tornava minha juventude

bem mais saborosa

 

Ana Rosa, e todas as Anas Rosas
que por aquelas ruas vagueavam

naquela época como falsas virgens

mais não faziam que vender

o corpo meio descoberto,

exibindo a miséria sem piedade

cuja pouca fazenda cobria suas

vergonhas que ofereciam

por algum dinheiro, aos homens
ou rapazolas que como eu

por ali passavam

 

O pouco dinheiro que eu tinha
dado por meus pais,

eu o guardava, e esse dinheiro

com mais alguns trocos
que docemente surripiava

à pobre da minha avó
me levavam àquelas ruas,

pelo menos uma vez por mês,

e a Ana Rosa eu queria,

vestida de tudo, e despida de nada
pois era a mulher de meus sonhos

eróticos e sensuais,

e também o meu conforto

 

Ela, só não sabia ensinar-me amar
como era boa ouvinte
e, na minha inocência de vida
lhe contava minhas tontarias
de rapaz ansioso e atrevido,

e o meu amor por ela

crescia admiravelmente como versos
E Rosa ria, ria...

Como ela ria, meu Deus,
seu sorriso era tão bonito
como seu corpo de onduladas curvas

 

Bem depressa,

deixei de ir àquelas ruas escuras,

tristes e de má fama por causa
dos pecados da vida
Mas tivesse eu dinheiro,

a ela eu iria todos os dias
Que saudades eu tenho

da minha vida de rapaz doidão,
como dizia Ana Rosa,

e baixinho me sussurrava
ao ouvido, dizendo

como gostava ser dona

da rua do pecado,

só para estar comigo

 

Hoje passo pelo Bairro Alto,
e claro, já lá não está a Ana Rosa
mas eu a recordo com amizade,

e se calhar com algum amor

que fiquei por essa mulher
que sempre achei gostosa
Ah, tivesse eu dinheiro nessa época
de quando era jovem,

aquela rua de pecado,

eu oferecia à Ana Rosa

 

de: fernando ramos

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