Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

FERNANDO RAMOS

Minha Poesia


28.07.23

 

865 1 (2).jpg

  • CONFINS DA MADRUGADA
  •  
  • É nos confins da madrugada
  • Que medito na minha vida
  • E vejo que vai amargurada
  • Por triste causa perdida
  •  
  • Em noites ao relento
  • A boémia vai-me matando
  • Por pecados que não leva o vento
  • Que de mansinho me vão levando
  •  
  • Oh madrugada que vais parindo a má sorte
  • Tu, vais me levar ao mau final
  • Diz madrugada se queres minha morte
  • Ou que adormeça como outro igual
  •  
  • Por favor madrugada
  • Faz-me feliz, dá-me boas auroras  
  • Deixa-me viver a vida ofertada
  • Todas as noites e todas as horas 
  •  
  • Minha fiel noite amiga
  • Aconchega-me de amor p´la madrugada
  • Se não, meu destino é causa perdida
  • E minha vida, infeliz e desgraçada
  •  
  • De: Fernando Ramos 


25.07.23

864 1 (2).jpg

  •  FADISTA PREFERIDO
  •  
  • Preparo a minha actuação,
  • Observando a assistência
  • E ensaio minha voz
  • Junto dos meus músicos
  • Dedilhando guitarradas
  •  
  • Observo o público
  • Tentando adivinhar
  • A ansiedade ou a descrença
  • Nos seus olhares
  • E nessa inquietude
  • Penso se serei capaz
  • De agarrar esse publico
  • Que me aguarda
  • Envolvido na áurea fadista
  •  
  • E minha incerteza cresce
  • Como um mistério inexplicável
  • Canto o meu fado,
  • E nele coloco palavras
  • De paixão e de sofrimento
  • De ingratidão e inveja
  • E de mais outras
  • Que vão saindo por minha garganta
  • Já cansada por tantas noites de fascínio
  •  
  • Peço a quem me ouve
  • No silêncio da sala cheia de assombro
  • P´ra me acompanhar num,
  • Ou noutro Fado mais conhecido
  • E minha ansiedade vai desaparecendo
  • E o meu medo vai de fugida
  • O público aplaude
  • E eu me sinto o fadista preferido
  • Das palavras imaginadas
  • P´lo poeta num banco de Jardim
  • A beirinha de um passado
  • De alegrias e tristezas
  •  
  • de: Fernando Ramos


16.07.23

863 1.jpg

 DANÇO AO AMOR

  •  Preciso ao som do velho violino
  • Dançar em passos de sedução
  • Desvendar num ondular de bailarino
  • Como invadir preciosa imaginação
  •  
  • Quero rodopiar sem parar
  • P´ra com magia tanto amar
  • E ao som da melodia balançar
  • p´ra um coração poder acordar
  •  
  • Quero ao som desse coração
  • Recônditos segredos entregar        
  • Nele perder toda a razão
  • Em desejos que nos vão saciar
  •  
  • Danço ao amor, esse milagre da vida
  • E amarei em silencio até não poder mais
  • Bailarei em seu corpo como pétala perdida                
  • Num mar de paixões correndo pró cais
  •  
  •  de: Fernando Ramos


14.07.23

 

862 fr.jpg

862 - CHEGOU A HORA

  • Eu te amei, e como te amei
  • Amei-te tanto, parte da vida
  • O quanto, nem eu sei bem
  • Só sei que foi ilusão vencida
  •  
  • Amei-te por becos e ruelas
  • Encostados ás paredes da paixão
  • Hoje me sinto triste com sequelas
  • Que moram bem fundo do coração
  •  
  • Sentado na mesa, sentindo pena
  • Relembro os momentos em clamor     
  • Bebendo copos p´ra mágoa serena 
  • Esquecendo por momentos tal dor
  •  
  • Já não me dás sinal algum
  • E procurei-te por toda a parte
  • Não te encontrei em lado nenhum
  • E esta paixão, vejo que parte
  •  
  • Ditoso meu coração carente
  • Das lembranças da doce aurora
  • Já temo menos as dores que sente
  • Porque pró final, chegou a hora
  •  
  • Eu te amei, e como te amei
  • Amei-te tanto, parte da vida
  • O quanto, nem eu sei bem
  • Só sei que foi ilusão vencida
  •  
  • de: Fernando Ramos


12.07.23

861 1 (2).jpg

861 - CORAÇÃO AMADO

  •  Tive um sonho lindo
  • Que jurei dele não contar
  • Mas não resisto sorrindo
  • Porque p´ra lua vou falar
  •  
  • Minha lua branca amiga
  • Meu segredo te vou dizer
  • Sonhei com uma cantiga
  • P´ra alguém que fui conhecer
  •  
  • Cantei que p´lo céu voava
  • Procurando uma paixão
  • Seria ela a minha amada
  • P´ras nuvens do meu coração
  •  
  • O céu me abençoou
  • Por esse amor procurado
  • Uma Estrela de mim se abeirou
  • Beijando meu coração amado
  •  
  • Com a Estrela p´lo céu fiquei
  • Tornando-se de mim ansiosa
  • Meu sonho lindo, abandonei
  • Presenteando à Lua curiosa
  •  
  • De: Fernando Ramos


10.07.23

860 - 1.jpg

 

860 - 2.jpg

860 - 3.jpg

  • 860 - OS AMIGOS DA POBREZA - 1
  •  
  • Os Banqueiros do mundo inteiro
  • Decidiram num um acto de coragem
  • Organizar um evento
  • Resolvendo convidar a sumidade
  • Da alta finança e da sacanagem
  • Para alimentar a pobreza
  •  
  • A mesma pobreza que anos a fio
  • Não deixa de entregar
  • As suas parcas moedas,
  • Provenientes dos seus magros salários
  • À guarda dos referidos Banqueiros
  • Pessoas impolutas e insuspeitas
  • Afirmo eu desde já!
  • P´ra que, caridosamente se ajuda-se os pobres
  • A gerirem sua vida de forma agradável, como:
  • Empestando-lhes dinheiro, e mais dinheiro
  • Nem Mais!
  • E, entregando-lhes cartões de crédito
  • Se possível, em quantidade apreciável
  • Sempre a troco de pouca coisa
  • Só… da hipoteca da sua habitação
  •  
  • Os Banqueiros então resolveram
  • Generosamente organizar um grande
  • Jantar dançante
  • E para os ajudar nas despesas
  • Que iriam ter com os pobres
  • Convidaram uns amigos!
  • Alguns Presidentes e ministros,
  • Que são, quem sempre está disponível
  • Em ajudar com o dinheiro dos impostos
  • Da pobreza (claro!).
  • Algum Banqueiro que esteja em dificuldade
  • Para não levar o banco à falência
  •  
  • Convidaram também, e merecidamente diga-se
  • Quase todos os especuladores,
  • E até alguns traficantes de toda a espécie,
  • Tudo gente de elevado nível, social e até cultural
  • E tudo isto em homenagem aos pobres
  • Quem generosamente tem engordado
  • Anos, e anos seguidos… os Banqueiros.
  •  

        Foi também convidado para a festança

  • A imprensa, escrita e televisionada
  • Pois o mundo deveria de ter conhecimento
  • de tal acto generoso promovido pelos Banqueiros.
  • Tudo em directo para todos os países
  •  
  • Realizou-se o Jantar e dançou-se o Rock,
  • O Fank, o Tango, o Tiro-liro-liro e até o Samba
  • E ficou acordado entre os Banqueiros
  • Que o dinheiro ali realizado, (claro depois de deduzida
  • As respectivas despesas), seria para ser
  • Investido num fundo a 20 anos,
  • Para no fim desse tempo, se ainda houvesse dinheiro
  • Se comprar arroz, legumes, batatas e pilhas eléctricas
  • Para auxiliar a pobreza, e se ainda sobra-se
  • Uns dinheiritos, os Banqueiros por cortesia
  • Abriam uma conta nos seus bancos
  • A todos os pedintes, sem abrigos e arrumadores
  • A fim de depositarem as suas economias diárias.
  •  
  • Realizou-se o jantar, dançou-se comeu-se muito bem
  • Bebeu-se whisky, uns conhaques
  • Um champanhe Francês, e ainda
  • Se ofereceu-se umas “ganzas” à mistura,
  • Tudo em favor dos pobrezinhos do planeta
  • Foi muito bonito e comovente ver os Banqueiros felizes,
  • Por terem realizado com êxito tamanha solidariedade
  • No final da Jantarada dançante cantou-se o hino do Capital
  • E gritou-se vivas e loas aos grandes amigos
  • Da pobreza... OS BANQUEIROS
  •  
  • de: Fernando Ramos


09.07.23

 

859 (2).jpg

 

  •  ACORDAR
  •  
  • Haverá uma noite
  • Que nos roubarão as estrelas
  • Outra, que nos roubarão a Lua
  • Haverá um dia
  • Que nos roubarão as arvores,
  • As mimosas, as rosas
  • e até o Jasmim
  •  
  • Haverá noites
  • Que nos irão roubar a música,
  • As telas dos Pintores
  • Os livros do conhecimento,
  • A nossa alegria das tertúlias poéticas
  • E alegria das gentes de bem
  • Que sem nada em troca
  • Entregam solidariedade
  •  
  • Haverá noites que irão roubar
  • Os beijos, os abraços e as histórias
  • Que as mães contam aos filhos
  • E nós povo cordial e calmo
  • Assistiremos a todos estes roubos
  • Que quando acordarmos,
  • Já nos roubaram a paz
  •  
  • E cercados por abutres
  • Que em noites e dias
  • Nos desnudaram
  • E nos sugaram sem piedade
  • Ficaremos sem trabalho
  • Sem voz, sem cidadania
  • E sem amor
  •  
  • Acorda povo
  • E grita aos Deuses da liberdade
  • Antes que seja demasiado tarde
  •  
  • De: Fernando Ramos


07.07.23

 

858 1 (2).jpg

  • A VALSA
  •  
  • A calçada da vida, nós muito pisámos
  • Nos anos que por nós, correram sem dores
  • Construímos o lar, onde tanto nos amámos
  • E com o tempo não caímos em desamores
  •  
  • Nunca irei buscar num fado
  • A saudade triste como breu
  • Apenas fico calado
  • Prós Santos não te amarem, mais do que eu
  •  
  • Riamos e brincávamos da nossa tontaria
  • E a valsa dançávamos lá no salão
  • Foram belos tempos cheios de fantasia
  • E agora me resta a penosa desilusão
  •  
  • Hoje olho os pássaros num populoso ninho
  • Nos verdes jardins que calcorreio sozinho
  • Admiro as flores que acariciavas com carinho
  • Até que Deus te levou pró celestial caminho
  •  
  • Solitário, vejo o tempo passar
  • E como é difícil tua ausência aceitar
  • Aguardo que Deus brevemente me vá levar
  • P´ra que outra valsa contigo, eu dançar 
  •  
  • Nunca irei buscar num fado
  • A saudade triste como breu
  • Apenas fico calado
  • Prós Santos não te amarem, mais do que eu
  •  
  • De: Fernando Ramos


05.07.23

857 1.jpg

  • 857 - A FRASE
  •  
  • Numa frase vou saber
  • E dar voz ao meu sentir
  • Nela vou descrever
  • A pérola por descobrir
  •  
  • E quero que aconteça agora
  • Que a frase saia da mente
  • Porque acho que está na hora
  • A minha ansiedade ser diferente
  •  
  • E com um belo sorriso
  • Já não vou de rua em rua
  • E p´la frase não será mais preciso
  • Continuar andar na lua
  •  
  • De outra frase já não quero saber
  • Porque é de sentido vago e pequeno
  • Esse drama, jamais voltarei a viver
  • Essa frase nunca mais vou escrever
  •  
  • De: Fernando Ramos


03.07.23

 

856 (2).jpg

  • LISBOA DE AMOR
  •  
  • Minha cidade é Lisboa
    De gentes de tanto vencer
    É terra onde a voz entoa
    Fados de poetas de bem saber
  •  
  • A cidade não tem salinas
    Nem sol de mau feitio
    Tem lindíssimas colinas
    Beijando o Tejo, que é o rio
  •  
  • Faz festas com os seus Santos
    E o António vai na marcha popular
    Tem clubes de seus encantos
    Lá para os lados da circular
  •  
  • Um é o Benfica do grande Eusébio
    Extraordinário artista de forte chuto
    Outro o Sporting que tem um génio
    Ronaldo, estrela maior do seu reduto
  •  
  • Lisboa tem varinas e o pregão
    Poetas e trovadores
    Tanto amor no coração
    Cantado em fados de ricos autores
  •  
  • Minha cidade não é o centro do mundo
    Nem de Marte nem da Lua
    Mas oferece um abraço profundo
    Ao turista, que lhe calcorreia a rua
  •  
  • Deixa corações depressa bater
    A quem a ama com alegria
    É pedaço de chão de enternecer
    Por ser tão bela e sem nostalgia
  •  
  • Já teve moinhos de maré
    E tem Camões seu grande poeta
    A fadista Amália, que ainda hoje é
    A voz da paixão, que no povo desperta
  •  
  • Minha Lisboa de amor
    Que o faz a toda a hora
    Dá beijos com tanto calor
    Ao seu passado, e agora
  •  

De: Fernando Ramos

Pág. 1/2

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D