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FERNANDO RAMOS

Minha Poesia


20.03.22

590.jpg

 

  • PIROGA DE DESEJOS
  •  
  • Vou na minha piroga
    Num rio de amores ardentes
    Percorre meu coração que joga
    Em puros desejos crescentes
  •  
  • A fragilidade de meus desejos
    Leva a piroga nos ventos cruzados
    Ao leme, encontrar eu almejo
    Um porto seguro de pecados
  •  
  • Ao chegar, a piroga encosto
    Junto a um amor que me está a esperar
    Abraço-a, e lhe beijo o rosto
    Murmurando ela, que anseia casar
  • Já não navego à bolina
    E a piroga de desejos fui deixar
    Agora tenho um amor que me anima
    Nas doces noites de luar
  •  
  • De: Fernando Ramos
    03.6.2006
  •  


19.03.22

589 (1).jpg

  •  A TENDINHA
  •  
  • Ergue-se uma enorme tendinha
    P’ra ela, alguns se vão deslocar
    É alta, redonda e bem bonitinha
    P´ra tanta gente, vai ser seu lar
  •  
  • Tem um jardim como seu lugar
    A tendinha dos espíritos bons
    Dele muitos lá se irão aproveitar
    Colhendo as flores de lindos tons
  •  
  • Na primavera, irá florescer
    Rosas de belos perfumes
    E na tendinha irá nascer
    Crianças, e alguns queixumes
  •  
  • São de lindos amores lá tidos
    Que fizeram da tendinha uma aldeia
    Ali não há corações sofridos
    Mas sim, de amores em cadeia
  •  
  • Na tendinha de bom viver
    É um prazer lá morar
    Até já se fala, em a fazer crescer
    P’ra outros mais ela abrigar
  •  
  • De: Fernando Ramos
  •  


18.03.22

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  • A FUGA DA VIRGEM
  •  
  • A noite vai alta, e  os espíritos flutuam
    Próximo da lua fatal, de pálida cor
    Ilumina Virgens prós amantes que suam
    Em gemidos de gozo, de total furor
  •  
  • Naquele leito de enorme ilusão
    Respira-se amor até ao raiar do dia
    Entrando um sol, fértil de razão
    Libertando a Virgem que da noite fugia
  •  
  • Lindas orquídeas, que alguém ofereceu
    Lembraram-na, de um amor muito desejado 
    Quer esquecer, a fuga daquele breu
    Procurando de dia, um eterno apaixonado
  •  
  • E por jardins de jacarandás, caminhava
    A Virgem sozinha buscando roxas flores
    Olhando as grandes arvores que sombra dava
    Suplicava a Deus por perfeitos belos amores
  •  
  • E no segredo da tarde acontece magia
    Surge um Cavaleiro num verso que rima
  • Trás na mão, rosas, como cortesia
    Sorrindo à virgem, que dela se aproxima
  •  
  • Naquele entardecer, o amor aconteceu 
    Terminando sua fuga das luas pálidas
    A Virgem feliz ao Divino agradeceu
    P’la chegada do ilustre p’ra noites cálidas
  •  
  • E na garupa do cavalo, ela partiu feliz
    Porque uma grande paixão aconteceu
    Ele, que este amor era o primeiro, lhe diz:
    “Prepara-te Virgem, que meu futuro é teu”
  •  
  • De: Fernando Ramos
  •  


17.03.22

587.jpg

  •   SORRISO DANADO
  •  
  • Num dia lindo, e muito feliz
  • Algumas crianças de pouca idade
    Joãozinho, Carolina, e o Luís
    Visitam o Zoológico de sua cidade
  • Que bonito que é, e como felizes estão
    Suas mamãs, tratam-lhes do bom farnel
    Que entregam ás educadoras dessa ocasião
    P’ra no jardim, almoçarem bifinho ou pastel
  •  
  • Estão alegres e impacientes, os pequeninos
    Sente-se as crianças mais felizes do mundo
    Como justa é a vida p’ra alguns meninos
    De ricos privilégios, e bem estar profundo
  • Elas sorriem, brincam, e trocam beijinhos 
    Suas educadoras são de mil cuidados
    Como é bonito, vê-los junto dos golfinhos 
    E de mais bichinhos muito bem tratados
  •  
  • Noutro ponto da cidade, vive o Amadeu
    Criança sem nada, também de pouca idade
    Mora num bairro sujo, e escuro como breu
    Onde se ouvem gritos de vidas sem saudade
  • Seus pais, pobres e de trabalho incerto
    Convivem mal com os míseros tostões que ganham
    Cortando, e cozendo solas, para um patrão experto
    fazendo sapatinhos finos, que à moda não falham
  •  
  • Esta criança, nascida do ventre da desgraça 
    Também labuta, ajudando seus pobres pais
    Que de manhã cedinho, o despertam sem graça
    Oferecendo-lhe trabalho, e poucas coisas mais
  • Raramente Amadeu vai à sua escola
    Tem pena, e quando vai, vai muito feliz
    Leva sempre, um pãozinho na sacola
    P´ra quando a fome aperta, seu estômago petiz
  •  
  • Amadeu ajuda, desde que deixou de gatinhar
    Já é indispensável, no seu trabalho delicado
    São mais uns dinheirinhos, prós pais ganhar
    E ele feliz, oferece-lhes seu sorriso danado
  • Sorriso tão lindo, como os das crianças contentes 
    de vida generosa, e de futuros menos chorados
    Tudo lhes dão, até brinquedos de presentes
    Custando mais, que pão e leite dos menos felizardos
  •  
  • de: Fernando Ramos
  •  


16.03.22

 

586.jpg

 A CRIANÇA E SEU MUNDO

  •  
  • Um olhar
    Uma esperança
    Um sorriso
    Uma Criança
  •  
  • Um olhar, 
    de quem não percebe
    que o futuro é já amanhã,
    e que a tranquilidade lhe foge
    Esperando–lhe a insegurança,
    e o não acreditar em quem traz 
    a ganância do poder por perto
    Restando-lhe apenas
  • o bom senso
    dos homens de boa vontade
  •  
  • Uma esperança,
    esperança que a vida
    não seja tão cruel
  • como o olhar descreve
    Esperança que a justiça
  • se fortaleça e que o mundo
  • gire sempre 
    no sentido do amor e da razão
  •  
  • Um sorriso, 
    p´la natureza, que por mais
  • castigada possa estar
  • vai sempre ficar a seu lado
    nos seus momentos menos bons
  • Um sorriso por inocentemente
  • pensar que a doença,
  • e a miséria serão 
    erradicados de vez,
    e todas as crianças irão escutar
    com atenção, quando lhes falarem 
    da paz, da liberdade, e da alegria
    que a cotovia cantará 
    num monte de felicidade
  •  
  • Uma criança, 
    de olhar feliz, um sorriso fresco 
    e tão belo como a primavera carregada
    de amores perfeitos
    Que darão a todas as crianças 
    a esperança sublime de poder 
    agarrar o futuro, 
    o seu futuro de perfeição
  •  
  • de: Fernando Ramos
  •  


15.03.22

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  • VULCÕES

  • Em redor de mim, a calmaria
    Vinda do silencio do mundo
    Mas no fundo mais profundo
    Ouve-se um ruído de vida
  •  
  • Em tons nada bonitos
    Sente-se a lava que escorrega
    Como um rio que se entrega
    Aos precipícios quentes e aflitos
  •  
  • São vulcões cheios de pó
    Que crescem em direcção do céu
    Amortalhando a vida triste e só
  •  
  • No fim, num sossego imperturbável
    Cobre-se a desgraça com um véu
    Do olhar estranho, e censurável
  •  
  • De: Fernando Ramos
  •  


14.03.22

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  • PEQUENA PRINCESA
  •  
  • Como gostava de ser princesa
    E calçar sapatinhos de cristal
    Viver num castelo de farta mesa
    Receber brinquedos p'lo Natal
  • Quero brincar agora, que sou menina
    E de noite com as estrelas sonhar
    Engano a fome desde pequenina
    E vou levando a vida a trabalhar
  •  
  • Minha idade, é de brincar com bonecas
    Mas faço casaquinhos muito bonitos
    Gostava de beber leite em lindas canecas
    E na rua não vender docitos
  • Não devia viver na infância perdida
    E ao acordar ser feliz com a alvorada
    Sonhar com o sabor da boa vida
    E não ter a idade adulta penhorada
  •  
  • Adorava ver minha mãe sempre feliz
    E comer com os irmãos pão de centeio
    Não passo de uma menina infeliz
    Com vontade de fugir deste meio
  • Sou uma criança triste e já adulta
    Que sofre da ganância que leva ao caos
    Queria comer bem, e aprender a ser culta
    Não ser explorada por homens maus
  •  
  • Como gostava de brincar apanhada
    E com outras meninas fazer a roda 
    Precisava muito de ser amada
    E de vestir roupinhas da moda
  • Era tão bom poder jogar à bola
    Ir à praia molhar os pés no mar
    Não devia mais faltar à escola
    E sem carinho não voltar chorar
  •  
  • Sou filha de um operário Cristão
    Que finge, que a fome não rói
    Sonho com arroz e um pedaço de pão
    P'ra enganar meu estômago que dói
  • Trabalho p'ra miséria não me comer
    E sonho com bicicletas de selim já gasto
    Nelas vou pedalando a correr
    Fugindo desta sorte de mau repasto
  •  
  • Levanto-me ao tocar das seis em ponto
    P’ra mais um dia de pobreza farta
    Trabalho de manhã à noite, e já não conto
    Minhas lágrimas límpidas cor de prata
  • Sou uma menina que sonha em ser ave
    E voar pró mundo das princesas felizes
    Poisar junto de gente, que não sabe
    Do triste canto das crianças infelizes
  •  
  • de: Fernando Ramos

  •  


13.03.22

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A NOITE NO ADORMECER DAS LUAS

  •  
  • A noite surge ao fim do entardecer
    Com seus encantos misteriosos
    É ela que nos vai dizer
    Se possui sonhos puros e gostosos
  •  
  • A noite amável e nossa amiga
    É a companheira nos afazeres
    Quer que um coração persiga
    Amores nos seus nasceres
  •  
  • E no adormecer das luas
    Na mais intima madrugada
    Laços se apertam em vidas nuas
    Num frenesim de sedução sonhada
  •  
  • Aí florescem murmúrios de amor
    Até à orla da noite bem amada
    Onde a aurora chega em esplendor 
    Trazendo o gorjear da passarada
  •  
  • Que é prenuncio de dia feliz
    P´ra amantes do mel divino
    Fazem o que a vida lhes diz
    Até ouvirem na Igreja o tocar do sino
  •  
  • De:: Fernando Ramos
  •  


12.03.22

582 fr.jpg

FADO MAROTO


  • Nas altas horas da noite boa
    A cidade repousa da vida agitada
    Na velhinha tasca de Lisboa
    Escuta-se a voz, rouca e cansada
  •  
  • Um fado maroto se faz ouvir
    No ambiente castiço e sonhado
    Canta-o um fadista a sorrir
    P’lo seu poema muito engraçado
  •  
  • Ali se fica até ao raiar do dia
    Que chega de mansinho, e sem brado
    Alguém na taberna que o artista ouvia
    Pede-lhe um fado triste e chorado
  •  
  • E sem dó e sem pudor oferece o tal pedido
    Cantando um de amor sem sorte
    De uma paixão de passado sofrido
    Que aguarda p'lo chegar da morte
  •  
  • A aurora entra naqueles corações
    Ao som do último fado maroto oferecido
    E os aplausos na taberna lavam as emoções
    Da noite finda de espírito atrevido
  •  
  • De: Fernando Ramos
  •  


11.03.22

 

 

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 POBRE E VELHO

  •  
  • Sou pobre e velho,
    e dizem que sou um pobre diabo
    Serei? 
    Talvez até tenham razão
    Sou um pobre idoso
    porque a vida assim o quer
    Sou pobre de farrapos mas forte, 
    tão forte como o florir do Jacarandá 
    Tenho o céu como meu abrigo
    Tenho as ruas como meu lar
    E no inverno tenho a fogueira 
    e um chão de cartão 
    que vai parindo calor
    pró meu aconchego
  •  
  • Sou um pobre coitado
    de coração dilacerado
    Sou apenas um pobre velho,
    que devia ter a intolerancia 
    o ódio e angústia
    como companheiros
  • mas não!
  • Apenas admiro em silencio
  • a vergonha do mundo
  • por sentir na pele a injustiça 
    pelo abandono dos velhos 
    tão sós, tão pobres 
    e miseráveis como eu, 
    que vão vagueando p´la calada da vida
    por esta cidade de contrastes
    Sou pobre sim, este é o meu destino, 
    mas relâmpagos de memória me dizem
    que se calhar bem o mereço
    Deus bem sabe o que faz,
    estarei a pagar pecados
    de outras vidas passadas?
  • Sou pobre, pobre de dinheiro e do nada
  • batendo à porta da alma todos os dias

  • Visto trapos, ando descalço, passo fome,
    ando ao frio e à chuva 
    desfolhando pétalas de solidão sobre mim
    Sou pobre e velho, bem sei
    Mas sei que dentro desta pobreza
    tenho alguma riqueza de sentimentos,
    tão rica como as flores são de formosura
    Sou pobre e velho, bem sei
    Mas sou rico de amor,
    de amor pelos outros, por aqueles 
    que ao passarem por mim,
    me olham de soslaio e de indiferença
  • A esses, dou o amor que impregna 
    o ar de paixão,
    tão forte, como forte é o perfume 
    dos jardins da minha cidade
    Jardins que calcorreio
  • e à noite pela primavera
    começam a ser doce lar
  • deste pobre velho
  •  
  • de: Fernando Ramos

 

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