Minha Poesia

30
Mai 21

 

 

AMAR À CHUVA

 

Vamos nós devagarinho

Num jardim ao relento
Felizes estamos no caminho
Em busca de um bom isolamento

 

A chuva fria cai em redemoinho
Por nossos corpos, naquele momento
Que seguem num bom passinho
P´lo jardim, e contra o vento

 

Se a chuva cair sem parar
Debaixo dela não sairemos
Se p'la noite quiser continuar
Mesmo à chuva nos amaremos

 

E se de manhã a chuva partir
Dizemo-lhe adeus com alegria
Bons momentos ainda vão vir
No regresso da chuva fria

 

 

de: Fernando ramos

publicado por Fernando Ramos às 17:52

29
Mai 21

 

 

AMAR NA MADRAGOA

 

Meu amor me enganou
Certa noite na Madragoa
Por outra me trocou
Na minha velha Lisboa

 

Foi numa noite na cidade
Que ele me seduziu
Ali perdi a castidade
E desde ai, sempre mentiu

 

Confesso, dele ter saudade

Cheguei a odiar por lhe querer

Lembro-me logo da minha verdade

Sei que ama-lo, é p´ra esquecer

 

Hoje sou uma mulher sofrida
Por amor a quem não devo
Ele me deixou perdida
Desde jovem e muito cedo

 

Na Madragoa eu fiquei
Com a vida destroçada
Da outra, ciúmes nunca terei
Porque com ele, não é bem casada

 

Madragoa meu amor
Meu futuro é o que Deus quiser
Desde aquela noite de dor
Que passei a ser mulher

 

Outro amor vou encontrar
Por muito que isso me doa
E com ele quero casar
P´ra ser feliz na Madragoa

 

de: fernando Ramos

publicado por Fernando Ramos às 15:10

28
Mai 21

 

298.jpeg

298 - UM ZÉ NINGUÉM

 

Dizem que sou um Zé ninguém
e, é capaz de ser verdade
Até vou mais além
Sou ninguém, e não deixo saudade

 

Mas que grande falta de estima
Para um ser como eu
Se há alguém que se subestima
Não é problema meu

 

Sou Zé ninguém para alguns
P´ra outros não é bem assim
Ainda há mais, que são mais uns
Que até gostam de mim

 

Zé ninguém, não é ninguém
Porque todos, alguma coisa são
É que há tantas, que são mãe
De muitos Zés que p´ra ai vão

 

Portanto meu amigo,
Zé ninguém não existirá
Porque tantos, e até comigo
Somos alguém que anda por cá

 

de: fernando ramos

publicado por Fernando Ramos às 13:51

27
Mai 21

 

 

UM SOPRO DE ILUSÃO

 

Um sopro de ilusão
Sinto eu ouvindo tua guitarra
cujo as notas me sufocam
de angustia, por levemente
teus dedos passarem nas cordas 
do meu sentimento

 

Um sopro de ilusão
Faz minha alma voar a caminho

das suaves portas da noite
de um mundo novo, onde a ventania 
do deserto leva um sonho de saudade

de uma lágrima caída
que se perdeu num tempo

 

Um sopro de ilusão 
Me fez declamar um poema sentido 
que tantas, e tantas vezes
murmurei nas nossas noites
de vai e vem que desatava fantasias  
no sossego da paixão que nos confortava

 

Um sopro de ilusão
Faz-me dizer poesia

que p´ra ti escrevi na minha prisão

de secretos desejos 

contínuos 

que se perdem

 

 

ao 

nascer

 

da nova aurora

 

 

que nos traz

 

o calor que se advinha

 

Um sopro de ilusão 
É como o universo pejado

de pensamentos de paixão

que dançam dentro dum coração

e dos olhares 

trocados de namorados

cujo amor continua no tempo

nunca terminado

 

 

de: fernando ramos

publicado por Fernando Ramos às 10:58

26
Mai 21

 

 

GOSTAR DO FADO

 

O fado eu não amava
Agora por ele me apaixonei
De outras cantigas gostava
Mas vai ser nele que morrerei

 

O fado é a magia da vida
E uma bela forma de estar
Nunca será uma quimera sofrida
Mas uma obra de se amar

 

O que o fado tanto nos diz
Faz-nos bem, e até pensar
Eu por ele nada fiz
Mas vou a tempo de começar

 

Então, faço poemas
Com algumas quadras de rigor
Poderão ser frases pequenas
Mas feitas com amor

 

Pró fado escrevo de paixão
Poesia de alegria e lamento
Que vai saindo do coração
Carregadinha de sentimento

 

Se é poesia, bonita ou feia
Prós outros eu nem sei
Mas p´ra mim é boa ideia
escrever o fado para alguém

 

de: fernando ramos

publicado por Fernando Ramos às 18:26

25
Mai 21

 

 

VIVA O TEATRO E A REVISTA

 

Há para aí uns engraçadinhos
Que connosco andam a brincar
Pensam que somos coitadinhos
E à muito que andam abusar

 

Então dizem que a revista acabou
Agora, e já o diziam antes
Nessa, o povo nunca acreditou
Para desgosto dos governantes

 

Viva o teatro, e a revista Nacional
grita todo Zé povinho,
Senhores ministros de Portugal,
Com os artistas, mais cuidadinho

 

E se a revista mal tratarem,
Com eles se estão a meter
Aos artistas vão lhes ter de pagarem
O mal que lhes podem fazer

 

É que a eles tanto prometeram
E continuam com as mãos cheias de nada
De todos os governos pouco receberam,
Estando eles esperando uma boa fada

 

Ó senhores do poder oculto
Deixem o que o povo mais gosta, em paz
É que, a revista para eles é um fruto,
Que ainda consomem, e muito os satisfaz

 

A cultura é a educação do povo
São palavra que as leva o vento
Promessas destas não é nada novo
Sabemos nós, à muito tempo

 

Os poderes deste país
Da cultura devem ter medo
Porque, o que para aí se diz
Para ela, o dinheiro nunca chega cedo

 

Para o teatro, e a revista
Dinheirinho nunca há
É tão difícil ser artista,
Em todo lado, mas mais cá

 

Se alguém a revista quer acabar
Que tenha mas é muito cuidadinho
Dela nunca se irão safar
Por ela vamos é ter, mais respeitinho

 

Não acabem com esta cultura
Senão com o povo andam a gozar
Por isso, senhores está na altura
De a deixarem no seu devido lugar

 

Somos um país pequenino
Mas com artistas de muita gana
O teatro e a revista é um menino
Que tantos, a ele muito ama

 

Portanto, tenham algum cuidado
E vejam bem o que andam a fazer
O povo já está a ficar zangado
E com ele, se vão ter que ver

 

 

de: fernando ramos

publicado por Fernando Ramos às 15:30

24
Mai 21

  

 

CORRUPTO

  

O corrupto anda de mansinho
Na sua negociata privada
Vai enganando devagarinho 
Sem nós dar-mos por nada

  

Ele vai enriquecendo
Com seus bolsos sem fim
Os mesmos vai enchendo
Metendo lá o nosso pilim

 

Vai pilhando à vontade
E na Câmara ele é rei
E também o é, na Sociedade,
Sempre para desgosto de alguém

 

É o senhor todo poderoso
Mas alguns acham que não
A ele lhe dá grande gozo
Comprando muitos com tostão

 

Todos os dias aparece na televisão
Como o mais sério do mundo
Querendo ditar sua razão
Discutindo com todos a fundo

 

E nós povo, não passamos
De uns pobres coitados
Que nestas figuras acreditamos
Para mal dos nossos pecados

 

E lá vai o corrupto maravilhado
Pelas trapaças cometidas
Num pais pobre por ele enxovalhado

Por causa das ambições desmedidas

 

Acorda Portugal inteiro
Mete os corruptos na prisão
Se não, eles nos destoem primeiro
Roubando o nosso pão

 

 

de: fernando ramos

publicado por Fernando Ramos às 10:27

23
Mai 21

 

 

ADEUS À MORTE

 

Ao dizer adeus à morte

Foi o começo de um novo dia
Será que foi por mera sorte
Ou antes por cobardia

 

Morrer não é muito importante
E também não é um medo fingido
Foi por ter vida estonteante
Que me levou da morte ter fugido

 

P´la vida tenho um sentimento arraigado
Que descubro em ilimitada sofreguidão
Com a morte seria um fim muito chorado
Que não me daria grande ilusão

 

Assim, serei adepto da boa vida
Por isso, adeus morte para sempre
Traz-me uma alegria sentida
P´ra viver eternamente

 

 

de: fernando ramos

publicado por Fernando Ramos às 22:18

22
Mai 21

  

 

MEU DESASSOSSEGO

 

Minha vida agora é um desassossego

De permanentes contrastes
Porque isso acontece, não percebo
Se tu sempre bem me tratastes

 

Já não consigo compreender
essas tuas atitudes subtis
Mesmo que me venhas oferecer
Belos vestidos de Organdis

 

Não vale a pena teres ciúmes
Nem fazeres diagnósticos precipitados
Não venhas mais com queixumes
Porque sou tua desde que nos deitámos

 

Foi um momento de grande magia
E também p´ra mim, de muito medo
Desejo é que seja sempre de alegria
Por isso agora, o meu desassossego

 

 

de: fernando ramos

publicado por Fernando Ramos às 18:20

21
Mai 21

 

 

A PROCISSÃO DA MINHA CIDADE

 

Vai Cristo no andor
Na procissão da minha cidade
O povo o eleva com amor
Suplicando por piedade

 

"Ó Cristo, nosso Senhor
Perdoa-nos desta vida desgraçada"
Pede o povo com fervor
No cortejo da calçada

 

E Cristo dá seu olhar piedoso
As gentes que reza sua amargura
Vão acenando ao seu Santo bondoso
Que leva vestimenta cor púrpura

 

 

O povo é fiel à procissão
Que todos os anos se faz na cidade
Isso lhes dá força e razão
De amar Cristo na sua bondade

E lá vai ela no seu lento andamento
Nesta cidade de ruas estreitas
O povo chora de arrependimento
E pede cura p´ra suas maleitas

Cantando pró céu a ladainha
Enquanto Cristo vai a passar
Na cidade a procissão é rainha
E muitos, o andor querem levar

 

E o povo, nas suas janelas deita flores
À procissão que vai muito devagar
Alguns suplicam que lhe tire as dores
Do sofrimento que lhes está amargurar

E o senhor padre cura
Vai na frente do andor
Benze o povo com água pura
Para que Cristo lhes tire a dor

E as gentes no seu piedoso furor
Suplicam a Cristo o seu perdão
Num arrependimento sem pudor
P´ra que ele lhes mostre sua razão

 

Ó meu Cristo redentor
Dá-nos saúde e liberdade
Tu és o nosso Salvador
Desta vida de pouca saudade

 

 

de: Fernando ramos

publicado por Fernando Ramos às 14:11

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