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FERNANDO RAMOS

Minha Poesia

FERNANDO RAMOS

Minha Poesia

149 - LUTANDO SÓ

Fernando Ramos, 15.11.20

 

  • LUTANDO SÓ
  •  
  • Por vezes estamos sós,
  • apenas rodeados da solidão 
  • companheira que muito nos magoa
  • E quando saímos de situações
  • complicadas, com o coração sofrido
  • pela injustiça, mais difícil se torna, 
  • mesmo quando estamos 
  • entre familiares e amigos
  • Ás vezes pensamos em desistir, 
  • e guardar para depois as nossas 
  • lutas e os nossos sonhos 
  • Tantas vezes voltamos para casa
  • com a sensação de não termos feito
  • o nosso melhor, e que algo 
  • se podia ter feito mais 
  • E vamos à luta por uma causa difícil 
  • que por vezes até dói, 
  • e aí, bom aí... cai a lágrima 
  • de toda a nossa desilusão, 
  • no preciso momento que não 
  • deveria ter acontecido
  • Algumas vezes pedimos a Deus 
  • que nos dê força, e um pouco de luz 
  • para momentos bem difíceis,
  • e também oramos ao nosso 
  • Anjo da Guarda para que ele 
  • nos ajude, e nos digam 
  • qual o caminho que devemos seguir
  • A resposta vem quase sempre
  • da maneira mais simples 
  • que alguma vez tínhamos imaginado, 
  • como um olhar cúmplice, um sorriso, 
  • ou um gesto de amor 
  • de alguém que nos é próximo
  • E nós, outras tantas vezes pedimos
  • e insistimos em prosseguir,
  • em ir à luta, ser amados e em acreditar
  • Continuando a pedir a Deus para 
  • nos abençoar, e indicar-nos
  • qual o caminho a percorrer, 
  • não o mais difícil, mas sim 
  • o mais bonito, e nós como sempre
  • complicamos tudo, como tantas 
  • e tantas vezes
  •  
  • de: fernando ramos

 

148 - O JARDIM

Fernando Ramos, 14.11.20

 

  • O JARDIM
  •  
  • Próximo de minha casa
  • há um bonito jardim
  • Vou lá algumas vezes,
  • pois ele, não é só p´ra mim
  •  
  • É um jardim de boas áreas
  • muito verde e de bom ar
  • Bons dias lá se passam,
  • ele é óptimo para passear
  •  
  • Enormes árvores ele tem
  • e lindas flores também
  • Alguns lagos por lá há
  • Onde patos nadam bem 
  •  
  • As crianças ali brincam
  • com muita alegria e bom viver
  • Nos baloiços elas andam
  • e na relva rebolam de prezer
  •  
  • Muito bom é estar por lá
  • principalmente ao entardecer
  • É tão lindo o meu jardim
  • venham todos conhecer
  •  
  • de: fernando ramos
  •  

 

 

147 - PINTOR OBSERVADOR

Fernando Ramos, 12.11.20

  • PINTOR OBSERVADOR
  •  
  • Sou um artista que observo
  • minuciosamente teu corpo
  • antes de o pintar
  • Gosto do jeito manso dele,
  • da seriedade a que se expõem
  • para minha tela
  • Fica sereno com gestos suaves
  • e requintados que me deixa
  • dar traços delicados
  •  
  • Teus olhos são misteriosos
  • e perturbadores de cor azul,
  • mil segredos eles guardam
  • de todos os olhares indiscretos
  • Como eu gostaria
  • de os desvendar,
  • bem antes de minha mão
  • os desenhar na tela,
  • e nela os colorir
  • nas cores dum fogo em chamas
  •  
  • Tua beleza me fascina
  • e na minha aguarela,
  • vai tomando forma
  • exuberante que seduz
  • Tua alma eu pintaria
  • com as mesmas cores 
  • maravilhosas do arco íris
  • Teu cabelo de negro
  • da noite sem luar
  • eu o deixava
  • com suaves devaneios
  •  
  • Faria de minha pintura
  • um modelo para a expor
  • a um escultor de muita arte
  • E ele que esculpisse
  • tuas brandas formas
  • preciosas e delicadas
  • E colocasse sua obra
  • no alto da montanha
  • ao pé dos deuses do amor
  • para que todos admirassem
  • com algum espanto
  • tua silhueta subtil
  • e graciosa
  • com o mesmo encanto
  • que meus olhos observam
  • e minhas mãos pintam
  • em tela branca,
  • onde tantos sonhos deixo
  •  
  • E o artista da pedra
  • com o seu cinzel
  • faria de ti um modelo
  • de escultura,
  • onde todos pudessem
  • ver a graciosidade dos teus
  • contornos subtis e primorosos
  • Com o mesmo encanto
  • que este pobre pintor observa
  •  
  • de: fernando ramos

 

146 - ADEUS

Fernando Ramos, 11.11.20

 

  • ADEUS 
  •  
  • Estou sempre dizendo adeus,
  • como indo embora de ti 
  • Se um dia não voltar
  • para meu desencanto será
  •  
  • Estou sempre me despedindo
  • como de uma partida final,
  • de um encontro que houve
  • em jogos de nossas vidas
  •  
  • Estou sempre dizendo adeus
  • como se mais não te encontrasse
  • numa rua da nossa cidade,
  • é como se fosse a ultima vez
  •  
  • Contigo estou sempre de partida
  • é incompreensível nosso desencontro 
  • quando nós bem sabemos
  • que nossos seres se amam
  •  
  • Adeus meu amor... 
  • Os deuses não querem
  • que nossas almas se precipitem
  • nesta esplendorosa paixão ardente
  •  
  • de: fernando ramos
  •  

145 - AÇUCENAS DO TEU JARDIM

Fernando Ramos, 10.11.20

  • AÇUCENAS DO TEU JARDIM
  •  
  • Ele é doido, desgraçado
  • e até apaixonado
  • Vive de ilusões
  • por teu corpo desejar
  • Ele até poderá ser um safado
  • que continua enamorado,
  • pelo que a vida lhe oferece
  • Ele é doido, 
  • porque cheira as açucenas 
  • do teu jardim,
  • e com vontade de lá viver
  • Ele ama a natureza 
  • com sentido de pobreza
  • e adora lhe tocar
  • Ele, é até infeliz! 
  • Mas essa, eu não acredito
  • porque quem cheira 
  • as açucenas do teu jardim, 
  • a natureza beija, 
  • teu corpo deseja,
  • e o destino engana
  • Portanto... Não é doido 
  • nem desgraçado, 
  • e engana o destino 
  • numa esperança perdida
  • Ele é simplesmente 
  • o eterno apaixonado por ti
  • p'la natureza, e pelas belas 
  • açucenas do teu jardim
  •  
  • de: fernando ramos

 

 

144 - O GUARDA

Fernando Ramos, 09.11.20

144 - O GUARDA

Sei bem quando estou a mais,
por isso saio
Mas fica tranquila,
que por ti zelarei sempre
mesmo quando pensas
que já não estou presente
Meu coração vai andar por aí,
a ti guardando à janela
do meu pensamento
derramando a lágrima mais triste
Na esperança de um dia
te poder guardar sempre
E dizer-te que não estás
só meu amor

de: Fernando Ramos

143 - À FLOR DA PELE

Fernando Ramos, 08.11.20

 

  • À FLOR DA PELE
  •  
  • Venho pró quintal
  • da minha perdição 
  • mais uma vez cumprir um destino 
  • que me faz viver à flor da pele
  • Fumo meu cigarro
  • ouvindo o silencio da noite
  • olhando os arbustos que crescem 
  • desordenadamente 
  • em retorções de dor,
  • para me oferecerem raízes 
  • que irão nascer numa noite, 
  • talvez  de lua cheia, 
  • que chegará com a primavera
  • Sento-me num banco
  • e por detrás dos meus abrigos olhos
  • observo a solidão que me 
  • aconchega nesta noite mágica, 
  • onde vou viver mais 
  • uma vez em fuga
  • num patético manicómio
  • da minha invisivel máscara
  • Minha vida vai partida 
  • em pedaços incontáveis
  • Sou mulher de má vida,
  • que já não sente amor em mim,
  • e à noite recebo os clientes 
  • à porta do quintal de minha casa
  • Levando-os para meu quarto
  • onde os violo nas suas loucuras
  • de prazeres indefinidos 
  • E entre murmúrios 
  • soltam-se beijos perdidos 
  • e sem amor, 
  • mas no final, faço-os voltar sempre, 
  • e sempre ao meu recanto
  • Para mim resta seu pagamento, 
  • nada mais, e voltar para este quintal, 
  • fumar novo cigarro e esperar por outro
  • tão infeliz como eu, à sobra da noite
  • Sombra que faz parte de uma lista
  • de outras tantas, e tantas noites passadas 
  • deixando meu coração desesperado,
  • fazendo-me viver sempre, sempre
  • e sempre à flor da pele
  •  
  • de: Fernando Ramos
  •  
  •   

142 - PARTIDA PARA A GUERRA

Fernando Ramos, 07.11.20

  • PARTIDA PARA A GUERRA
  •  
  • A guerra não tinha terminado
  • e pelo jovem soldado
  • seus camaradas de jornada
  • aguardam-no à porta de sua casa
  • Estão à espera!
  • Dizia o jovem combatente para sua mãe,
  • que naquela manhã de inverno escutava, 
  • o barulho da chuva que batia
  • copiosamente na janela
  • de sua velha casa
  • Tempos difíceis aqueles
  • Seu filho iria combater
  • numa guerra fratricida
  • A mãe sabia que muitos poucos 
  • tinham sobrevivido nos combates 
  • dos últimos dias
  • E com muita mágoa lhe disse
  • quase chorando:
  • Que zelaria por ele,
  • e estaria ali esperando para o embalar
  • como lhe fazia quando era criança
  • Ela continuava a fixar seu olhar 
  • nas vidraças, e pensando que era 
  • preferível fazer um pacto com o diabo
  • do que entregar seu filho 
  • aos senhores da guerra
  • E viu que lá fora o tempo continua 
  • invernoso como seu coração
  • Ela não faria pacto nenhum, 
  • porque ainda poderia residir
  • alguma esperança em seu intimo
  • O jovem despedindo-se,
  • lá partiu carregando seu fardo,
  • com os amigos de luta
  • Sua mãe ao dizer-lhe adeus
  • acabara de ter maus pressentimentos 
  • E na raiz do silencio
  • finalmente as lágrimas
  • soltaram-se como se fossem
  • as bátegas de água que lá fora
  • caíam sem parar
  • O tempo continuava tempestuoso,
  • como o coração da mãe
  •  
  • de: fernando ramos
  •  

141 - O FADO NAS CARAVELAS

Fernando Ramos, 06.11.20

  • O FADO NAS CARAVELAS
  •  
  • Nas Caravelas quinhentistas
  • Já o fado era cantado
  • Lá, os poetas marinheiros escreviam
  • letras que deram vida ao fado
  •  
  • O amor que se tem por ele
  • muitos sabem que não é de agora
  • Já os nossos marinheiros o cantavam
  • nas Caravelas de outrora
  • Ali, os nossos heróis gostavam
  • de ouvir um bonito fado
  • Porque com ele nas Caravelas
  • não esqueciam Portugal amado
  •  
  • Naqueles mares nunca navegados
  • a saudade era a toda a hora
  • Cantava-se à desgarrada
  • para a tristeza ir embora 
  • Mas a tristeza não ia
  • e o fado continuavam a cantar
  • Para as puras donzelas amadas
  • que no Tejo sofriam de esperar
  •  
  • É na vida de solidão
  • que o fado ensina amar
  • Os marinheiros o cantavam 
  • até as Caravelas  aportar
  •  
  • de: fernando ramos
  • 16.8.2005

140 - PERDIDO

Fernando Ramos, 05.11.20

  • PERDIDO
  •  
  • Não sei para onde vou
  • nem domar os meus sentidos
  • só sei que este não
  • é o caminho
  • que te vai encontrar
  • Não sei porque aqui estou
  • mas sei que te vim procurar
  • e não encontro meio
  • de te falar
  •  
  • Não vou por outro atalho
  • ou outro trilho serpententear
  • porque este não
  • é o meu destino
  • Deus me guie
  • ao teu encontro
  • porque por aqui
  • ando perdido
  •  
  • Poderá ser uma tragédia
  • até mais que dramático
  • tenho de te encontrar,
  • esse é o meu sentido
  •  
  • Não sei para onde vou
  • mas sei que não é por aqui,
  • minha alma não te vê
  • nesta imensa escuridão
  •  
  • De: fernando ramos
  • 17.8.2005
  •  
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