Minha Poesia

05
Jun 20

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69 - A ESQUINA DO MEDO


Maria, era o nome da prostituta 
que frequentava aquela esquina 
Do medo como era conhecida
Exibia suas longas pernas 
a todos que passavam por lá 
na esperança que um cliente a salvasse 
daquela noite, para que seu chulo 
lhe desse a dose de heroína 
e não lhe batesse como era seu hábito 
sempre que ela não fazia dinheiro 
na esquina do medo
Maria vivia na vergonha das cicatrizes 
de seu rosto e por isso as tentava disfarçar, 
elas eram as marcas da desgraça 
devido às tareias que seu homem lhe dava 
Mas ela mesmo assim o amava apesar de tudo, 
e comentava com as amigas de destino: 
Que triste é ser puta e gostar 
de um homem como o meu, 
que triste sorte de ter que voltar 
para esta vida todas as noites
Maria lamentava-se, mas não conseguia 
dizer adeus à perversidade que carregava, 
nem a quem a mal tratava 
Também não conseguia procurar 
outros caminhos menos penosos 
devido ao vicio que seu corpo andava mergulhado 
Até que um dia Maria, cansada da má sorte 
resolveu parar seu destino 
E numa dose fatal de heroína para ela 
tudo tinha terminado 
Suas bonitas e longas pernas 
deixaram de ser vistas naquela esquina do medo


      de: fernando ramos

publicado por Fernando Ramos às 10:05

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