Minha Poesia

31
Out 19

 

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1059 - ABRIL DE CRAVOS

 

Poetas apareceram p’la tarde
Músicos e tantos cantantes
Chegou a chama da felicidade
Num Abril de cravos flamejantes

 

As gentes riam chorando
P’ra felicidade de tantos
Nas Igrejas se foi orando
Sorriram fieis e os Santos

 

E por aquele Abril novo
Muitos, muitos lutaram
Nas prisões apareceu o povo
Libertando os que sonharam

 

Vários Sois por Abril já passaram
E algum povo ainda acredita
Mas corações já se desgastaram
Neles a esperança já não habita

 

Que fizeram ao nosso acreditar
Gentes de pouca vergonha
O cravo não consegue medrar
E o povo de agora já não sonha

 

A revolução dos homens se vai
Na crista da onda da esperança
O belo sonho cambaleando, cai
No puder que pouco, a pouco avança

 

Desaparece o sorriso na gente boa
A liberdade está emudecendo
De mansinho outros hoje vão na proa
E o Abril de cravos vai entristecendo

 

Era o Abril na história duma vida
Que tarde o bem fez chegar
A bandeira desfraldada vai sumida
Na Pátria que o povo quer acreditar

 

De. Fernando Ramos

 

publicado por Fernando Ramos às 19:36

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1058 - CHEGAR DEPRESSA

 

Na noite negra que bem chovia
No dormir daquela hora
Para mim, minha paixão dizia:
“Acorda amor, tens de ir embora!
Deixa lá o teu soninho
Tens de te levantar agora!

 

Então... Levantei-me devagarinho
Deixei a alcova nosso ninho
E meu amor beijei rapidinho
Mas ao abrir a minha porta
Um friozinho bateu meu rosto
Pensei “está uma aragem que corta”

 

Mesmo assim me fiz a caminho
Para o trabalho esperado
Mas no leito estava tão quentinho
Agora vou num passo apressado
Metido em férteis pensamentos
Levando meu coração agitado

 

E nas trevas da cansada noite
Com muito frio em meu peito
Me esperava um patrão sem açoite
Para mais um dia de canseira
Num trabalho de magro salário
Tido numa profissão rotineira

 

Tão depressa me fui embora
Para minha casa a correr
Meu amor me aguarda agora
E eu aqui tanto a sofrer
Com ânsia de bem chegar
E de frio quase a morrer

 

O temporal continuava
Todo tempo sem cessar
Meu corpo vai bem molhar
Ate ao doce lar onde cheguei
Meu amor feliz me recebeu
E com ela de novo me deitei

 

De: Fernando Ramos
 

publicado por Fernando Ramos às 09:38

30
Out 19

 

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1057 - PROCURO A PAZ

 

Procuro a Paz para puder sorrir

Preciso dela p´ra saber amar

Se não a encontrar sei que vou partir

P´ra outro destino, p´ra outro lugar

 

Vivo num silencio tão triste

Mas já sorri de felicidade

E recordo esse sorriso

Na dor da minha saudade

 

P´lo meu rosto marcado

Corre meu olhar triste

Parecendo um condenado

Que à incerteza da Paz resiste

 

E meus olhos não querem ver ninguém

Apenas querem a Paz da noite calma

Porque meu cansaço não vai mais além

Dentro da tristeza que me doi na alma

 

Procuro a Paz para puder sorrir

Preciso dela p´ra saber amar

Se não a encontrar sei que vou partir

P´ra outro destino, p´ra outro lugar

 

de; Fernando Ramos

 

 

 

publicado por Fernando Ramos às 21:45

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1056 - MOMENTOS SERENOS

 

Meu amor, meu amor como esquecer
Aqueles nossos dias cinzentos
Se foram eles que nos fizeram merecer
O sol dos felizes e ternos momentos

 

Como esquecer algumas derrotas
Que a vida também nos presenteou
Hoje são vitórias que nos dão risotas
Porque no amor a gente sempre acreditou

 

Como esquecer tantos, e tantos erros
Comentados entre lagrimas e abraços
Deram-nos lições e alguns segredos
Aproveitados em íntimos pedaços

 

Como esquecer a triste solidão
Que por ocasiões a vida nos brindou
Percebemos aí a mensagem do coração
Que nos palpitava p´la bela união que criou

 

Como esquecer fugazes chamas de tristeza
Que estiveram presentes no dia, a dia
Tudo isso guardamos num baú como riqueza
E não fracassos de música de má melodia

 

Como esquecer meu amor, meu amor
Tais momentos grandes e pequenos
São as histórias vividas no ardor
Dos tempos rebeldes e serenos

 

De: Fernando Ramos
 

publicado por Fernando Ramos às 10:01

29
Out 19

 

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GENTES RENDIDAS AO BELO E AO AMOR

 

A corda da guitarra chora
Lágrimas tiradas na dor
Atreve-se o coração na hora
Oferecendo o palpitar de amor

 

E o poeta p’ra guitarras compõe
Poemas de seu belo prazer
Elas trinam melodias que expõem
Fadistas suas poesias dizer

 

E no canto da garganta afinada
Corre fado soberbo e encantador
É de letras de vida realizada
Em pingos de puro candor

 

E o guitarrista muito se atreve
A dedilhar na gostosa emoção
Vai-lhe o grito no caminho breve
Na garupa dum cavalo alazão

 

O poeta que seu poema escreve
P’ra fadistas exaltarem a vida
Com guitarras que a arte serve
Numa paixão soberba e desmedida

 

E no acto artístico de total esplendor
Nasce nova primavera de dons
P'ra gentes rendidas ao belo e ao amor
P’lo fado, o escrever e novos sons

 

De: Fernando Ramos

 

publicado por Fernando Ramos às 22:11

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1054 - BRILHOZINHO MISTERIOSO

 

Quando te vi pela primeira vez
Meu coração pousou no teu
Palpitou tanto até que fez
Ele amar perdidamente o meu
Como foi bom e valeu a pena
Essa paixão tão determinada
Poetas inspiraram-se nesta cena
Versejando arte terna e aveludada

 

Hoje meu corpo no teu se atreve
Entregando todo malicioso sabor
E tu me queres em suspiros breve
Depositando em mim todo esse ardor
E tanto vibramos nesta paixão
Tocada ao som ritmado dum tambor
Quanto mais a ela nos entregamos
Mais forte é o nosso louco amor

 

Desde que te vi por esse tempo
O coração em ti está refastelado
Desde aí não perdemos um momento
Amando-nos num leito apaixonado
No céu um brilhozinho misterioso
Mostra as estrelas a sorrir de nós


Sabem que este é um amor curioso
Que até a Lua nunca nos deixa sós

E no adormecer da noite estrelada
Entrelaçados por ali nos deixamos
Saboreamos a paixão talhada
Do momento que nele bem dançamos
E nossos lábios aos prazeres se entregam
Soltando murmúrios e puros beijos
Que p'los ondulados corpos navegam
Aportando no cais de nossos desejos


De: Fernando Ramos

 

publicado por Fernando Ramos às 17:15

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1053 - FADO DO POVO

 

O povo canta a musica dele
Com a emoção junto à saudade
Ele sente-a, e não é aquele
Que ama a poesia sem liberdade

 

O fado é a sua nobre canção
Que se ouve alto e baixinho
Traz da garganta e do coração
Letras dedilhadas devagarinho

 

Elas dão melodias simples e bela
Que entra na alma emocionada
Alguma tristeza também vai nela
Com sua solidão condicionada

 

A fadista puxa, puxa pela voz
Deixando cair em seu regaço
Poemas livres de dor atroz
Cabendo inteirinhos nesse pedaço

 

E na sua garra que atordoa
Chora a saudade que gira nela
De si sai um poema que magoa
Num fado que se escuta na viela

 

Ele é a alma poética e a raça dum povo
Gravado em preciosos pergaminhos
Deles se inspiram p’ro poema novo
Oferecendo ao fado futuros destinos

 

De: Fernando Ramos
 

publicado por Fernando Ramos às 11:49

28
Out 19

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1052 - MUNDO INQUIETO
(soneto)

 

O mundo vive tão inquieto
Ele se agita e não pára
Morre o homem num gueto
Deitado na ferida que não sara

 

Pobre mundo para onde vais
Nas tuas tragédias de horror
Tantas mortes tão brutais
A natureza vinga sua dor

 

Destruição por todo lado
Vê-se por aí todos os dias
O presente estará envenenado

 

Só Deus sabe no seu infinito
Será que virá novo Messias
Nessa sabedoria acredito

 

De: Fernando Ramos

 

publicado por Fernando Ramos às 18:12

 

 

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1051 - FURACÕES

 

Surgem devastadores furacões
Correndo cidades que se infernizam
Levam bens e almas de gerações
P’ra um infinito onde se eternizam

 

E a história tristemente registará
Este rosário total de destruição
Procissões o povo p’los locais fará
Orando a Deus na sua fiel devoção

 

P’ra que os furacões não regressem
A Terras de triste memória
Onde na miséria ainda padecem

 

Gentes em lágrimas e gritos
Brotando a consternação obrigatória
Das suas penosas vidas de aflitos

 

De: Fernando Ramos

 

publicado por Fernando Ramos às 11:25

27
Out 19

 

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  • HORIZONTE FINAL
  •  
  • Sigo a vida serenamente
  • Pela natureza dos enganos
  • E lá vou calmamente
  • Carregando no peito tantos danos
  •  
  • Aflito, vou até ao horizonte da esquina
  • Porque tua sombra me persegue
  • E eu na esperança de ver finda
  • Uma união que já não ferve
  •  
  • Corro a dobrar essa esquina 
    Cheio de tristeza e ansiedade
  • Porque nossa vida é sofrida
  • E já nem mora a saudade
  •  
  • Tudo entre nós acabou
  • Nunca houve amor total
  • Foi um sonho que findou
  • Cedo, num horizonte final
  •  
  • De: Fernando Ramos
publicado por Fernando Ramos às 20:00

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