Minha Poesia

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Mar 18

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  • SOLIDÃO COMPANHEIRA
  •  
  • As palavras não se soltam
    Da minha garganta
    Soluços secos abanam meu corpo
    Como uma árvore ao vento
    Na minha frente vejo um mendigo
    E um nó na alma se revolta
    Por este triste quadro 
    Que me retalha o coração
  • Olho o pobre deitado no chão 
    E o que vejo, são dias difíceis
    E vou meditando
    Sobre a miséria humana 
    Como é possível!
  •  
  • Pessoas, por ele vão passando
    E nem sequer o olham 
    Nem fazem um mínimo esforço
    Para ver o infeliz homem
  • Que lhe falta um mundo
  • Com olhos de amor e de verdade
    Metido naquele quadro tão solitário
  • Ele, deitado numa caixa de cartão
    Que é seu leito do momento
  • Num dia frio de Outono 
  •  
  • Nem faz o mínimo movimento 
    E nem deverá pensar em dali partir
  • Sabendo que se o fizer
  • Apenas lhe espera as indeterminaveis
  • Linhas tortas da vida
    Mesmo que queira partir
    Daquela solidão, certamente
    não poderá
    Mas para onde iria o pobre infeliz?
    Pergunto a mim mesmo!
  •  
  • O mundo gira, gira à sua volta
    Com correrias para cima, e para baixo
    Sem que as pessoas
    Dêem umas pelas outras
    Mostrando que apenas 
    Estarão tão sós como o homem 
    Ali deitado na calçada
  • Mergulhado na louca dor
  • que nunca lhe será curada
    Sentindo o futuro fugir-lhe
    Para algum lado sem regresso
    Sobrando-lhe apenas 
    A solidão companheira
    Pobre mundo que tratas tão mal
    Os teus filhos!
  •  
  • de: Fernando Ramos
publicado por Fernando Ramos às 20:11

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