Minha Poesia

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Jan 18

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         GENTE BONITA

Num belo Abril floresce o bonito cravo 

De pétalas empregnadas de conquista
P’ra muitos, e muitos, é um feliz fado
Na rouquidão da voz, do grande artista
Nasceu numa boa manhã de Abril novo
Num Portugal onde a paz já se grita
Abriram-se prisões, soltou-se um povo
Da terra abençoada, de gente bonita

 

Vieram trovadores, e todas as artes 
Cantar na rua a balada bem catita 
Partiram pró estrangeiro, alguns trastes 
Fugindo na crista da ganância banida 
Lançaram-se foguetes por tanta glória
Chorou-se a poesia à muito escrita 
Ecoaram das almas gritos de vitória
Da terra abençoada, de gente bonita

 

Espera-se que todos saibam conservar
Tal grandeza da extraordinária pepita
Cravos de amor, muitos se irão plantar
P'ra que ao povo, não falte preciosa sopita
Apareceu esta paz, julgada perdida
Nos bons corações amarrados por guita
Cantou-se Abril, na garganta ferida
Da terra abençoada, de gente bonita

 

Desfraldaram-se bandeiras de tanto amor
De pura fazenda, que não era de chita
Ofereceu-se pão, a quem comeu a dor
Nos bairros tragados p’la miséria dita
Somos um povo que jamais se irá curvar
Ao déspota carrasco, da mágoa aflita
Contra ele, a injustiça irá bem lutar 
Na terra abençoada, de gente bonita

 

Oh! Como é bom viver, assim liberto
Na heróica pátria, em páginas descrita
P’lo ilustre Camões, num belo livro aberto
Na terra pisada por gente bonita

 

E hoje não sabemos se Abril é memória

Porque gentes de vintem o vão destruindo

Chora o povo por pão, trabalho e gloria

e por outro Abril que se irá construindo 

 

De: Fernando Ramos

publicado por Fernando Ramos às 19:59

Janeiro 2018
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