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774 - TEUS NEGROS OLHOS

por Fernando Ramos, em 31.01.18

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  • TEUS NEGROS OLHOS
  •  
  • Teus olhos, de tão negros
    Fazem as noites bailar
    São felizes e sem medos
    Que encantam meu sonhar

    Dão feitiços ao luar
    Que os meus avassalam
    Não os quero ver deitar
    Lágrimas que me calam
  •  
  • Tornam meu mundo rico 
    Num intenso voltear
    Esse negro tão bonito
    Propenso ao meu beijar
  •  
  • Veiem em vagas d’amor
    Em sentimentos de arfar
    Eu os beijo com amor
    P’ra esses olhos gostar
  •  
  • E de tão negros que são
    Me inspiram no versar
    Dão palavras de razão 
    Rimadas em teu olhar
  •  
  • De: Fernando ramos

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publicado às 10:47


1089 - A GUERRA DOS HOMENS MAUS

por Fernando Ramos, em 30.01.18

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 GUERRA DOS HOMENS MAUS 

 

Nas minAhas memórias nunca adormecidas

Vão surgindo por vezes imagens duma Guerra

Por onde andei e que ninguém venceu

Apenas perdendo gente, dum lado e de outro

Em combates estúpidos e sem sentido

Onde a morte ganhava quase sempre

 

Os homens maus que mandavam gente

Para aquela guerra julgavam  

Que ela iria mudar seu mundo

Nunca viram o corpo do soldado estilhaçado

Cujos os seus sonhos ali cairiam na terra vermelha

Suja de sangue, e da maldade dos homens

Que o enviou para a morte 

Mais que certa para uns tantos

Passando a ser as memórias mais feias

Das loucuras do homem mau

Dizendo fazer a guerra em nome da paz

Que os levou a manter a Guerra

Por tempo demais, tempo demais

Fingindo enorme consternação

Junto das mães enganadas

Que num vai, e um vem

Por causa deles, seus filhos

Tombavam num capim, no meio do nada

 

Talvez um dia o homem rebelde

Perceba que nem eles nas guerras

Nunca serão vencedores justos

Que dela apenas se servem

Para desgraçar vidas de soldados

Que no susurrar do vento

Lamentavam andar de arma na mão 

E cuja beleza da Paz voava por seu coração

Paz essa, que esses filhos do Povo nunca tiveram

 

de: Fernando Ramos

 

 

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publicado às 17:08


773 - PORTAS

por Fernando Ramos, em 29.01.18

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  • PORTAS
  •  
  • Bati em algumas portas
    Nem uma só se abriu
    Não foi em horas mortas
    Nem esse era um dia de frio
    Em outra, depois fui bater
    De dentro respondeu uma voz
    “A porta não abrirei, ficas já saber
    Que aqui mora um sofrimento atroz”

  • E numa corrida sem tamanho
    Dali, logo, logo, fui partir
    De dor, já basta a que tenho
    Prefiro viver por aí a sorrir
    Ás portas não volto a bater
    Não se sabe o que lá vai dentro
    Não vá, eu também um dia sofrer
    O resto da vida em lamento
  •  
  • De: Fernando Ramos

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publicado às 21:04


772 - GENTE BONITA

por Fernando Ramos, em 28.01.18

772 fr

         GENTE BONITA

Num belo Abril floresce o bonito cravo 

De pétalas empregnadas de conquista
P’ra muitos, e muitos, é um feliz fado
Na rouquidão da voz, do grande artista
Nasceu numa boa manhã de Abril novo
Num Portugal onde a paz já se grita
Abriram-se prisões, soltou-se um povo
Da terra abençoada, de gente bonita

 

Vieram trovadores, e todas as artes 
Cantar na rua a balada bem catita 
Partiram pró estrangeiro, alguns trastes 
Fugindo na crista da ganância banida 
Lançaram-se foguetes por tanta glória
Chorou-se a poesia à muito escrita 
Ecoaram das almas gritos de vitória
Da terra abençoada, de gente bonita

 

Espera-se que todos saibam conservar
Tal grandeza da extraordinária pepita
Cravos de amor, muitos se irão plantar
P'ra que ao povo, não falte preciosa sopita
Apareceu esta paz, julgada perdida
Nos bons corações amarrados por guita
Cantou-se Abril, na garganta ferida
Da terra abençoada, de gente bonita

 

Desfraldaram-se bandeiras de tanto amor
De pura fazenda, que não era de chita
Ofereceu-se pão, a quem comeu a dor
Nos bairros tragados p’la miséria dita
Somos um povo que jamais se irá curvar
Ao déspota carrasco, da mágoa aflita
Contra ele, a injustiça irá bem lutar 
Na terra abençoada, de gente bonita

 

Oh! Como é bom viver, assim liberto
Na heróica pátria, em páginas descrita
P’lo ilustre Camões, num belo livro aberto
Na terra pisada por gente bonita

 

E hoje não sabemos se Abril é memória

Porque gentes de vintem o vão destruindo

Chora o povo por pão, trabalho e gloria

e por outro Abril que se irá construindo 

 

De: Fernando Ramos

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publicado às 19:59


771 - SORRIR DE SAUDADE

por Fernando Ramos, em 27.01.18

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  • SORRIR DE SAUDADE
  •  
  • Tenho saudades de quando estudante
    E de algumas moçoilas que namorei
    Para quem era, seu cavaleiro andante 
    De tantos beijos, que lhes surripiei 
    Como era bonito esses tempos passados
    E de quando ia ás praias do mar do sul 
    Pisar a cristalina areia dos namorados
    Fascinando-me dos lindos tons do céu azul
  •  
  • Tenho saudades, das árvores que subia
    Para espreitar o ninho do rouxinol 
    Que para mim gorjeava em alegre mestria
    Ao chegar da noite, e ao fugir do sol
    Como era tão feliz por essa altura
    Onde p’los quintais apanhava a boa fruta
    Era criança, de infância muito dura
    Que p’la vida fora moldou a conduta
  •  
  • Tenho saudades, das brincadeiras de rua 
    E saltar o velho muro da escola
    Jogar à bola, até raiar a doida lua
    Descalço, porque nos pés não havia sola 
    Como era bom ser menino, e ter tempo 
    Que hoje bem recordo em liberdade
    Me cai a lágrima por esse puro momento 
    E de tudo isto, sorriu de saudade
  •  
  • De: Fernando Ramos

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publicado às 16:07


770 - NOSSAS CARTAS

por Fernando Ramos, em 26.01.18

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  • NOSSAS CARTAS
  •  
  • Fechas teu coração ao mundo 
    P’ra que o meu nunca o vá encontrar
    Agora, chora-me ele bem no fundo
    Mas um dia o lamento irá passar
  •  
  • Trocámos tantas cartas, meu amor
    Nelas desenhamos nossas estrelas
    Ás noites, são poemas de esplendor
    Que as vou recordando, ao lê-las
  •  
  • Não as rasgarei tira, a tira
    Numa doce ansia que regresses 
    Teu perfume nelas por mim gira
    Ao rogar a Deus, nas minhas preces
  •  
  • Abre teu quente coração, ao meu
    E guardarei todas as cartas num baú
    Nelas conservo um beijo teu
    Roubado, quando p’ra ti era tabu
  •  
  • Nossas zangas sempre veem, e vão
    Levando-me a esperar-te, amor 
    De algumas, me culpas com razão 
    Trazendo sofrimento e tanta dor
  •  
  • de: Fernando Ramos

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publicado às 12:26


769 - TRAGO SONHOS

por Fernando Ramos, em 25.01.18

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  • TRAGO SONHOS
  •  
  • Trago no olhar o desejo
    Nos lábios teu sabor
    No rosto um doce beijo 
    Na pele, teu brando calor
  •  
  • Trago nos sonhos fantasia
    De ilimitada sedução 
    Na esperança, tanta alegria
    Na alma o calor da emoção
  •  
  • Trago doces dias como lembrança
    E no peito tua imagem gravada,
    Preservada como herança
  •  
  • Trago felicidade que encadeia 
    E à tanto tempo ansiada 
    Por tua paixão que me rodeia
  •  
  • De: Fernando Ramos

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publicado às 10:18


768 O DITADOR

por Fernando Ramos, em 24.01.18

 

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  •  DITADOR
  •  
  • Lutai. Lutai, ilustre torpe desbravador
    Que lá bem alto a insensatez te chama
    Vives da impostura e trazes dor
    E Deus um dia, tua culpa reclama
  • Ouves a lira, no teu ódio obscuro
    Lês a nota preta na pauta adornada
    Levas vidas, pró silencio puro
    Que lhes espera a paz abençoada
  • Vais chorar a dor, triste guerreiro
    Da tua desventura cavernosa
    No inferno de Dante, não serás primeiro
    Lá te aguarda, a chama invernosa
  •  
  • No teu trono temeroso e horrendo
  • Vai rodeando a boa esperança
    Daqueles que na espada vão padecendo
    P’la liberdade ganha como herança
  • E no horrível sepulcro da tua existência
    Os vivos lamentam sua pouca sorte
    És um ditador de vil demência
    Que à existência só trazes morte
  •  
  • De: Fernando Ramos

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publicado às 22:25


767 - PORQUÊ MEU AMOR?

por Fernando Ramos, em 23.01.18

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  • PORQUÊ MEU AMOR?
  •  
  • Quero esquecer que existes
    E não consigo
    Quero esquecer tuas palavras luminosas
    E não consigo
    Quero esquecer nossos momentos
    E não consigo
    Quero esquecer que te quero
    E não consigo
    Quero esquecer as madrugadas de sonho
    E não consigo
  •  
  • Porquê, meu amor ?
    Porque não consigo?
  •  
  • Estás permanentemente no pensamento
    Vives eternamente no meu coração
    O que falhou meu amor
    P’ra esta afrontosa desilusão?
  •  
  • És a fantasia do meu desejo
    És a saudade que dói
    És um sonho que sinto, fugir
    Porquê meu amor?
    Porquê?
  •  
  • Porquê, esta dor que não cala
    Porquê, este silencio que fala
    Porquê meu amor?
  •  
  • De: Fernando Ramos

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publicado às 20:09


766 - MANTO DA VERGONHA

por Fernando Ramos, em 22.01.18

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  • MANTO DA VERGONHA
  •  
  • Cometi erros imperdoáveis
    É uma atitude inesquecível
    Andei por guerras censuráveis
    Banhando-me no pecado apetecível
    Peço perdão por tal facto
    Que tantos decepcionou
    Se for concedido, serei grato
    A quem a má fortuna perdoou
  •  
  • Estou amargurado, pálido e cansado
    Desta minha triste ousadia
    Jamais voltarei a tal pecado
    É um desejo, e não tontaria
    Devotadamente ao divino rogo
    P’ra jamais cair em tal tentação
    Sou p’la paz, e pelo diálogo
    E não p’la guerra sem razão
  •  
  • Hoje choro de arrependimento
    Por da insânia não ter fugido 
    Minha vida foi um triste momento
    Neste passado que exijo sumido
    E no xadrez da noite escura 
    Lembro esta atitude medonha
    É uma mágoa que perdura
    Coberta p’lo manto da vergonha
  •  
  • De: Fernando Ramos

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publicado às 18:53


765 - IDEAIS SUBTRAIDOS

por Fernando Ramos, em 21.01.18

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IDEAIS SUBTRAIDOS

 

Meus mil ideais foram outrora subtraídos
Por guerras vergonhosas de inóspitos lugares
Aconteceu nas viagens de desejos lá vencidos
Na costa Africana, de longínquos mares

 

Ideais os perdi nesses infernos carregados
Numa África, filha de dó, herdeira de nada
Buscando a paz descrita em poemas chorados
Inspirados por mim, enviados p’ra minha amada

 

Ela me espera desta aventura vagante
E por outros ideais já combati
Como minha perene fortuna errante

 

E por uma razão achada omnipotente
Cheguei a um final, onde sempre perdi
Numa guerra criada por gente demente

 

De: Fernando Ramos

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publicado às 14:48


764 - DOCE VOZ DE MAGIA

por Fernando Ramos, em 20.01.18

 

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  • DOCE VOZ DE MAGIA
  •  
  • Na tua doce voz de magia
    Nos poemas poemas de bonitos amores
    Por ela passa pedaços de fantasia 
    Em rimas de muitos autores
  •  
  • Tua voz lê com brandura 
    Desgostos gastos num tempo
    Cantas na tua boca de formosura
    Poemas inspirados de alento
  •  
  • Nela a vida dança livremente
    Sem obedeceres à partitura
    É poesia bela e resplandecente
  •  
  • Gravada nas palavras vagabundas      
    Cheias de paixão e candura 
    Que de amor corações inundas    
  •  
  • De: Fernando Ramos

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publicado às 12:47


763 - MEU BOCAGE

por Fernando Ramos, em 19.01.18

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  • MEU BOCAGE
  •  
  • Hoje, num dia bravo de Inverno
    Por uma rua do meu bairro
    Caminho p’la calçada da velha cidade
  • Em meu pensamento Vai a lembrança 
    De um livro que me ofertaram
    Num natal passado
  • É uma antologia de Poesias
    Do grande Barbosa Du Bocage
  •  
  • Como eu gosto deste danado 
    Poeta escritor
    Que andou p’la Índia
  • E irreverentemente passou seu tempo 
    Pela boémia da minha bela cidade
    Onde nunca perdia a oportunidade
    De expor a sua forma satírica
    Sempre numa frase que servia
    Venenosamente para atormentar
    Os maus espíritos dos bem pensantes
    Dessa longínqua época
  •  
  • Como ele adorava moças de mil atributos
    Como gozava à sua maneira 
    A vida estúpida de preconceitos
    Ah grande Bocage
    Meu, Manuel Maria Barbosa Du Bocage
    Como tu escrevias a verdade, 
    Quando estavas mais pachorrento
  •  
  • Se fosse hoje, até eu te convidava
    Para irmos beber umas ginjinhas
    Ali pró Rossio, e passarmos 
    P’la casa do teu amigo Nicola
    P’ra atormentares, como só tu sabes
  • Os espíritos de agora 

  • de: Fernando Ramos

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publicado às 10:05


762 - ESTRELA DE DEUS

por Fernando Ramos, em 18.01.18

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  • ESTRELA DE DEUS
  •  
  • Nasceu o menino, lá na terra longínqua
    Cantam os anjos de tanta alegria 
    Reis magos e pastores, de alma infinita
    Seguem a estrela que tão bem os guia
  •  
  • Reis, levam rendas de belo bordado
    O pastor humilde, sua ovelha branca 
    Para o menino nas palhas deitado
    Com seu olhar que a tantos encanta
  •  
  • E Jesus sorri, de rosto iluminado
    Prós olhos brilhantes de sua mãe Maria
    Por todos é querido e muito bem mimado
    Recebendo esse calor dentro da estrebaria
  •  
  • Ao mundo veio p’ra nos livrar da dor
    Traz felicidade, e nos oferece a paz
    Conforta os pobres com tanto amor
    Porque esse milagre só ele é capaz
  •  
  • Tantos não percebem, seu primeiro olhar
    Que foi aos humildes que ele destinou 
    Sofre por eles, quando os vão maltratar 
    lacrimejando a estrela que Deus enviou
  •  
  • de: Fernando Ramos 

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publicado às 22:35


761 - NO CÉU TOCA O SINO

por Fernando Ramos, em 17.01.18

 

 

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  • NO CÉU TOCA O SINO
  •  
  • No céu toca o sino
    Sorrindo estrelas no seu brilhar
    Nasceu o Deus menino
    Que o povo vai abençoar

  • Nos seus cânticos de amor
    Pedem paz e felicidade
    Que é rara, neste mundo de dor
    Onde a guerra é banalidade
  •  
  • Os anjos anunciam o menino
    Pró mundo se alegrar
    Ele é um Deus pequenino
    Que p’lo natal vai chegar

  • Vem de amor e alegria
    Mais a caridade que seduz
    Traz-nos o bem, por magia
    Como milagre de Jesus
  •  
  • De: Fernando Ramos

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publicado às 17:50


760 - DOCE PICA

por Fernando Ramos, em 16.01.18

 

 

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DOCE PICA

 

Vou andando pela rua
De olhos pregados ao chão
Parece que vou na lua
Mas não vou na lua não

 

É que, a vida me faz pensar
No tédio que é ser drogado
Vou andando de cabeça no ar
Ansioso do ópio amaldiçoado

 

Mas que poderei fazer
P’ra deixar tal triste tentação
Essa vontade é raro aparecer
Nesta miséria sem solução

 

Vivo na doce pica da desgraça
Penhorando meu futuro
Haverá cura abençoada
P’ra este pobre vagabundo?

 

Minha morte irá aparecer
De mansinho, ou na agitação
Certamente da droga irei morrer
Bem escondido da multidão

 

Vou andando pela rua
De olhos pregados ao chão
Parece que vou na lua
Mas não vou na lua não

 

De: Fernando Ramos

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publicado às 20:41


759 - O OUTRO NATAL

por Fernando Ramos, em 15.01.18
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  • O OUTRO NATAL
  • Junto à lareira, na companhia
    Do crepitar das brasas arder
    Vou olhando p´ra rua
  • Sinto o tempo frio, e vou pensando...
    O que estará lá fora acontecer!
  • Meu cérebro, é um filão de imaginação
    Mostra-me a verdade que ele alcança
    E nesse espaço vejo por uma sua janela,
  • P´ra minha desilusão
    Que na paz lá fora afinal,
    Nela ninguém descansa
  • Ao som de sinos, e de coros
    Desperto p’ra nefasta realidade
    Do carnaval endoidecido que nos cerca
    E vejo vidas retalhadas como toros
    De arvores queimadas p’la maldade
  • Dizem que ´há um feliz  natal,
  • Mas qual natal?
    O faz de conta reina neste período
    Parece que todos são felizes por igual
    Esquecendo-se dum ano mau e surdo
  • Não veêm nemquerem ouvir o grito
    Da mulher, do idoso e da criança maltratada
    Precisamente por aquele, que p’lo natal nem parece aflito
    Com o seu egoismo e crueldade,
    Em todo ano praticada
  • Da minha janela, contemplo os raios de sol
    E o orvalho da vida, nas folhas a desaparecer
    Caindo como goteiras num telhado dum farol
    Que vai guiando a mentira e a hipocrisia
    Com o que está acontecer
  • Mas é natal, é natal. é natal, dirão os felizes
    Mas qual natal, o do bem estar?
    Perguntarão os outros que no resto do ano são infelizes
    Esses, apenas imploram ao menino Jesus
    Um mundo p´ra eles melhor
  • E os saiba amar     
  •  
  • De: Fernando Ramos
    22.12.2006

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publicado às 11:36


758 - NATAL ABENÇOADO

por Fernando Ramos, em 14.01.18

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  • NATAL ABENÇOADO

  •  
  • Em fartas mesas de iguarias deliciosas
    A beira de lindas arvores iluminadas
    Sentam-se gentes de bem, e famosas
    Exibindo fartas opulências requintadas
  •  
  • O vizinho dum bairro ao lado
    Que não tem tão boa mansão
    De momento até está desempregado
    Faltando a sua família um pouco de pão
  •  
  • Os outros, causadores desta infelicidade
    Durante o ano esbanjam sua farta riqueza
    Não se incomodando com tal precariedade
  •  
  • Esquecendo-se, que o vizinho é rico de amor
    E que apesar de tanta pobreza
    Seu natal é abençoado, p’lo Deus Senhor
  •  
  • De: Fernando Ramos

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publicado às 10:01


757 - IDEAIS ESCONDIDOS

por Fernando Ramos, em 13.01.18

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IDEAIS ESCONDIDOS
(soneto)

 

Tantos anos passaram pela minha vida
E os ideais se esconderam na solidão
Minha alma torturada andou perdida
Julgando viver um tempo de maldição

 

Hoje penso nesta triste loucura
Sentindo pena p’lo tempo vencido 
Foram os anos de minha frescura
Restando apenas, o orgulho ferido

 

Malditos sejam meus ideais fugidos
Que um dia, por eles não soube lutar
Agora, os sinto de novo renascidos

 

Dentro de mim, para os bem guardar
Onde a mente, não mais os irá apagar 
E o coração de novo, os saberá escutar

 

de: Fernando Ramos

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publicado às 22:29


756 - REGAÇO DE AMOR

por Fernando Ramos, em 12.01.18

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REGAÇO DE AMOR

 

Bates à porta de meu peito.
E de coração aberto
Te recebo com ansiedade
Donde vens meu amor?
Ouves o grito das emoções
Da minha paixão sofrida
E da saudade que se perde 
No silencio do vazio das noites
Da minha solidão calada
Onde imagino o suave rumor 
De teus passos
E sinto o subtil sabor quente
De teus beijos

 

Ah! como foi bom tu chegares
E defronte dum espelho
Ver teu rosto junto do meu
Num aperto, onde nossos olhos 
Se banham em desejos harmoniosos
Numa apoteose de felicidade

 

Como é bom beijar teus lábios 

Numa sensualidade mundana

Sempre que meu coração apeteça
Unindo-se a um total prazer
Que enlaça nossos corpos
Na louca ânsia transbordada
Em doce e bela melodia, 
Num clarão ardente de amor

E nossas bocas choram 
A sede louca
Que devoram beijos em chamas
Levando-nos a gemidos 
Nos anseios de nossos corpos 
Que de amor, vêem e vão 
Em paixão infinita

És um sol, chegado do céu 
À porta de meu coração
E agora na tua pele perfumada
Guardo tudo de mim,
E adormeço no teu meloso 
Regaço de amor

 

De: Fernando Ramos

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publicado às 19:51


755 - PEDAÇOS DE MAGIA

por Fernando Ramos, em 12.01.18

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  • PEDAÇOS DE MAGIA
  •  
  • O Natal chega e com ele a grande ilusão
    Que ao fim de tantos anos ainda persiste
    Num Pai natal, de saco vermelho de algodão
    Cheio de esperança p’ra este mundo triste
  •  
  • Alguns acreditam que este velho existe
    Especialmente em lares, de lauto festim
    O homem da rua, ao natal já não assiste
    Ele não aquece sua alma de cetim
  •  
  • O pobre não quer organdins, ouro ou pratas
    Mas apenas aguarda por uma boa luz
    P´ra que todos vivam de alegrias fartas
    De riquezas, que a ele já não seduz
  •  
  • O ancião sente a desilusão embriagada
    Estampada no rosto daquele coitado
    Busca na sacola sonhos que afaga
    O coração do pobre, no chão deitado
  •  
  • Natal assim não é natal de amor
    E o homem de vermelho isso bem sabe
    Ao infeliz se junta na sua dor
    Tirando do saco alguma felicidade
  •  
  • O pobre sorri, por tanta bondade
    E o velho das barbas transborda de alegria
    Diz que do mundo irá embora a vaidade
    Tornando as noites, bons pedaços de magia
  •  
  • De: Fernando Ramos

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publicado às 18:45


754 - MEU EU

por Fernando Ramos, em 11.01.18

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MEU EU

 

No silencio da vida
Vivo com meu eu
Esse eu desconhecido
Que comigo troca ideias
E sua autoridade

nunca se perdeu

Pelos caminhos da vida
Da minha vida

Ele, é quem tudo digo
E tudo pergunto, 
Até os segredos mais profundos
Mesmo num momento sofrido
O eu, que vive e se esconde
Dentro de mim

Ele é o meu melhor amigo, 
Sempre o melhor amigo
Está presente quando mais preciso
Dele, não tenho vergonha
De fazer o que apetece
Ou dizer o que me vai na alma 
Ele nada pergunta
Mesmo quando o caminho 
Que piso não é o mais certeiro
O meu eu, está lá sempre
Até para aqueles momentos
Mais ou menos bons 
O eu, é o meu Anjo da guarda
Obrigado, meu eu!

 

De: Fernando Ramos

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publicado às 16:54


753 - COMO TRISTE É O NATAL PARA ALGUNS

por Fernando Ramos, em 10.01.18

 

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COMO TRISTE É O NATAL PARA ALGUNS

  • Triste é o natal, quando nesta quadra
  • o faz de conta atinge seu esplendor
    De repente, mais rápido que um comenta 
    Muitos se tornam simpáticos
    Alguns, até se imaginam Santos 
    Oferecendo amizade, paz, pão, 
    e tanta ternura, não passando 
    de hipócritas carpideiras
    Porque no resto do ano,
    vão distribuindo indiferença,
    egoísmo, e mais outros ismos,
    até em alguns casos, 
    tirando tudo a quem mais precisa
    Como triste é o natal desta gente,
    que mais não fazem com estas súbitas 
    boas vontades senão pedir perdão 
    a eles próprios p’la hipocrisia 
    que vivem no seu dia a dia
    Estarei errado?
    Digam que estou errado, 
    e eles decerto 
    dormirão melhor!
  •  
  • De: Fernando Ramos

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publicado às 14:27


752 - MINHA SINFONIA

por Fernando Ramos, em 09.01.18

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 MINHA SINFONIA

 

Componho minha musica
Sentado num teimoso piano
E nele vou dedilhando as notas
Num prazer transcendental
Que me conforta a alma
Trazendo a clarividência
Necessária para aquela nota 
Intima que teima não cair 


Na tecla do velho piano
Será meu fracasso de inspiração
Se não conseguir compor 
Minha obra, a minha pobre obra
Que p´la batuta de um maestro
Lhe dará vida numa orquestra
Com a força de todos os instrumentos 
Que beberão o ritmo existente 
Da minha insignificante sinfonia
Que numa entoação melodiosa 
Vai suavizando a alma 
De quem a sente

 

de: Fernando Ramos

 

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publicado às 12:01


751 - A AVE

por Fernando Ramos, em 08.01.18

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  • A AVE
  •  
  • Gorjeia a ave,
    no entardecer 
    Esperando a lua
    E seguindo um caminho 
    sem controle
    Aguarda p’la noite 
    fria, e nua
    Que em suas penas 
    será confortável lençol

  • E na sua melancolia 
    sem norte
    Esta ave solitária
    procura um refugio, 
    no silencio da sua sorte
    Donde, num poleiro
    de estabilidade oportuna, 
    adormece com a orvalhada
    que não se compadece
    da sua solidão nocturna
  •  
  • De: Fernando Ramos 

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publicado às 10:54


1054 - BRILHOZINHO MISTERIOSO

por Fernando Ramos, em 01.01.18

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BRILHOZINHO MISTERIOSO

 

Quando te vi pela primeira vez
Meu coração pousou no teu
Palpitou tanto até que fez
Ele amar perdidamente o meu
Como foi bom e valeu a pena
Essa paixão tão determinada
Poetas inspiraram-se nesta cena
Versejando arte terna e aveludada

 

Hoje meu corpo no teu se atreve
Entregando todo malicioso sabor
E tu me queres em suspiros breve
Depositando em mim todo esse ardor
E tanto vibramos nesta paixão
Tocada ao som ritmado dum tambor
Quanto mais a ela nos entregamos
Mais forte é o nosso louco amor

 

Desde que te vi por esse tempo
O coração em ti está refastelado
Desde aí não perdemos um momento
Amando-nos num leito apaixonado
No céu um brilhozinho misterioso
Mostra as estrelas a sorrir de nós


Sabem que este é um amor curioso
Que até a Lua nunca nos deixa sós

E no adormecer da noite estrelada
Entrelaçados por ali nos deixamos
Saboreamos a paixão talhada
Do momento que nele bem dançamos
E nossos lábios aos prazeres se entregam
Soltando murmúrios e puros beijos
Que p'los ondulados corpos navegam
Aportando no cais de nossos desejos


De: Fernando Ramos

 

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publicado às 18:04


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