Minha Poesia

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Dez 17

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DANÇA DA CHUVA

 

Cai a chuva, do agreste Inverno
Numa dança de pingos descoordenados
Inundando campos, que é um inferno
P’ra tantos seres desatinados

 

Essas águas impuras até doer
Causam dramas a gente desesperada
Vêem os bens, na corrente desaparecer
Levando-lhes uma vida, na enxurrada

 

E esta catástrofe de enlouquecer
Está na mão do homem, como é natural
Ele é o culpado, por tal suceder 
Numa vergonhosa atitude irracional

 

Esta dança, de chuva fria
Traz a companhia do forte vento
Bailando pingos de noite, e dia
Que para a terra, é seu sustento

 

Na ruidosa tempestade invernosa
Escuta-se o vento a falar à chuva
Pedindo ao tempo sua mão bondosa
Pró sol aparecer, leve como a luva

 

Nos campos, encharcados de fria água
Que oferecem à vida, um bom seleiro 
Vai desaparecendo a triste mágoa 
Em corações dum tempo companheiro

 

De: Fernando Ramos

publicado por Fernando Ramos às 16:17

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Dez 17

 

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  • BONITO
  •  
  • O bom sentimento que vem 
    Do nosso interior
    É tão bonito como um sorriso 
    Ou como o brilhozinho dos olhos 
    De alguém apaixonado
  •  
  • Tão bonito, como bonito
    É o sol que nos ilumina
    Até nos momentos menos bons
    Ou como aqueles 
    Pedaços de felicidade
    Que nos enchem a alma 
    Quando somos úteis para alguém 
    Que por vezes não vai 
    No bom sentido da vida
  •  
  • Bonito é olhar o céu
    E dar-mos graças a Deus 
    Por tudo que nos propeciona 
    No nosso dia, a dia
    Como a saúde, ou a sorte
    De termos alguém que
    Nos ama, e podemos amar
    Ou ter a felicidade de olhar 
    Um pôr de sol no entardecer
  •  
  • Bonito é gostarmos de viver
    De bem com nós próprios,
    Gostarmos dos outros
    Com a mesma intensidade 
    Que Deus gosta de nós,
  • E o bonito é Deus gostar de nós
  •  
  • de:Fernando Ramos
publicado por Fernando Ramos às 14:17

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  • O REGRESSO DA LUA
  •  
  • No breu da noite profunda
  • Entre madrugadas de sono
    Surge a sombra vagabunda 
    Alertar que houve um abandono
  •  
  • Foi a lua das noites boas
    Que no firmamento se perdeu
    Deixando triste tantas pessoas
    Que por ela o amor conheceu
  •  
  • E naquela triste desilusão
    Já mora a velha ansiedade 
    Chorando-se no silencio da emoção
  •  
  • E a Lua, de novo voltou
    P’ra outras noites de felicidade 
    P´ra quem de saudade chorou  
  •  
  • de: Fernando Ramos  
  •  
  •  
publicado por Fernando Ramos às 16:24

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  • VIELA DOS NAMORADOS
  •  
  • Trinai, trinai guitarras velhinhas
    Fados da castiça cidade
    O povo suplica com ansiedade
    O perdão de Deus, nas capelinhas
  •  
  • E gargantas de bem cantar
    Entoam poemas de vida e amor
    Acalentando a saudade, e a dor 
    De peitos sofridos por amar
  •  
  • E na voz generosa dos fadistas
    Geme a solidão fértil e bizarra
    Que nos acordes da velha guitarra
    Comovem o povo e os guitarristas

    Ouvem-se murmúrios ao coração
    Vindos da viela dos namorados
    Anunciando o perdão aos bocados
    Em poemas de saudade e emoção
  •  
  • Cantai, cantai nossos artistas
    O perdão p´la poesia dos poetas
    Inspirada nas descobertas
    P’ra deleite dos brilhantes fadistas
  •  
  • Tocai, tocai, noite e dia
    Guitarristas do nosso povo
    Fadistas cantai um fado novo
    P´ra vidas parcas de alegria
  •  
  • E na viela dos namorados bairristas
    Deus, concedeu perdão em boa hora
    O pecado partiu dali p’ra fora
    Trinando as guitarras dos fadistas
  •  
  • De: Fernando Ramos
publicado por Fernando Ramos às 13:24

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Dez 17

 

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  • O LIVRO
  •  
  • O livro, é um belo tesouro
    Quando lido com excitação
    Tem pedaços de puro ouro
    Que pró escritor é paixão
  •  
  • Lê-lo, é um gosto bem aceite
    Esgotando-nos de prazer
    Rico em frases de lindo enfeite
    Compostas de bem saber
  •  
  • É imaginação, e entretenimento
    Que se ensaia nos bastidores 
    Dá-nos gozo e conhecimento
    Completando nossos valores
  •  
  • O livro bom é comprado 
    Como tributo ao pensador 
    É relido, e bem guardado
    P’ra deleite do escritor
  •  
  • De: Fernando Ramos
publicado por Fernando Ramos às 22:25

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  • FAINA SOLITÁRIA
  •  
  • Vai o pescador devagarinho
    No rio onde a vaga é de graça
    Navega num bote pequenino
    Nas margens o povo o abraça
  •  
  • O barquinho de madeira
    É também seu doce lar
    Passa junto duma traineira
    Onde o mestre lhe vai acenar
  •  
  • Das margens vem a pergunta
    “Ó mestre p’ra onde vais?”
    Olha que o bote a ti se junta
    Leva a traineira p’ro cais
  •  
  • Seu bote é muito pobre
    Mas rico de bons momentos
    O rio, ao pescador sacia a fome
    Nele pesca seus alimentos
  •  
  • E lá vai o bote de mansinho
    P’ra a sua pesca diária
    Num local bem pertinho
    Onde a faina é solitária
  •  
  • De: Fernando Ramos
publicado por Fernando Ramos às 12:19

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Dez 17

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  • AFRICA DO MEU AMOR
  •  
  • Nos meus tempos de soldado
    Procurei a paz dos honestos
    Na África do meu amor
    Ali na terra vermelha e fértil
    Da savana Africana
  •  
  • Nas margens dos rios 
    De todas as ofertas da natureza, 
    Os animais buscam sua presa
    A fim de saciarem a fome
    Como se ali fosse a única 
    Parte do mundo onde Deus passou
    Deixando um rasto de beleza
  • E de perfume celestial
  • Naquelas terras que fazem bater
  • Mais forte os corações de todos
  •  
  • Por vezes numa aldeia qualquer 
    Duma terra Africana
    Ao som do velho batuque 
    Meninas de lábios gulosos 
    E meninos de modos de desejo 
    Bailavam como se aquela
    Fosse a última dança 
    A dança do resto de suas vidas
    Na esperança que a paz, 
    A paz dos justos,
    Voltasse a esse lugar sagrado
    Onde os homens são mais irmãos
  •  
  • Tudo isto me encanta
    E tudo isto me marcou
  • Porque lá, há sempre alguem
  • Que nos mostra que naquele meio
  • Ainda vale a pena sorrir
  • Enchendo-nos o coração de ternura 
    Recordando eu, hoje e sempre
    Com satisfação e orgulho 
    Esta África do meu amor
  •  
  • de: Fernando Ramos
publicado por Fernando Ramos às 16:07

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Dez 17

 

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  • OS PUTOS DE ALVALADE
  •  
  • Eram os Índios do bate bola
    Jogavam até de madrugada
    Enganavam o estômago
    E não corriam de cartola
    Brincavam descalços na estrada
  •  
  • Outros, não eram índios de bola
    E no Vává, falavam de amores
    Também jogavam, calçados de sola
    Alguns deram poetas e bons cantores
  •  
  • Os putos indios de forma desprendida
    Chutavam a bola pelos cantos
    Num chão batido, com pés em ferida
    Parecendo pardais, pois eram tantos
  •  
  • E estes miudos do bairro de Alvalade
    Todos os dias jogavam à bola
    Numa irmandade de feliz vontade
    Marcavam golos de alta escola
  •  
  • Hoje, os índios, já lá não estão
    E como era tão bonito vê-los correr
    Nos bolsos não guardavem tostão
    Mas sim muita vontade de vencer
  •  
  • Por vezes, num drible de mestre
    Alguns saiam de sua pobreza
    Os outros, de vida menos agreste
    Eram amigos na sua tristeza
  •  
  • E na boa vontade de Deus
    Os putos entre eles jogavam
    Uns pobres, outros de dinheiros seus
    Mas o futebol, a vida a todos ensinava
  •  
  • Estas crianças, leves como a pena
    Pela brincadeira não se perdia
    Em dias e noites era a bela cena
    Vê-los no bairro jogar de alegria
  •  
  • De: Fernando Ramos
publicado por Fernando Ramos às 20:50

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  • BECO DO BEM SABER
  •  
  • No beco do bem saber
    Ivone leva tristeza no coração
    Que de olhos colados ao chão
    Murmura p’lo seu tanto querer
  • Na pura e cristalina aflição
  •  
  • E no parapeito de sua janela
    Sente-se a frescura do alecrim
    Todos o cheiram com cautela
    Não passe seu amor por ali
    Ao encontro da outra, na viela
  •  
  • No Beco, se abrem janelas
    P’ra anunciar a procissão
    Alguém com flores amarelas 
    Informa o povo da decisão
    Preparada p’lo prior,
  • À noite à luz das velas
  •  
  • Para a bendita procissão
    O Beco se vai engalanar
    Ivone, reza sua consternação
    Ao amor que anda a enganar
    Seu pobre e infeliz coração
  •  
  • Foi no domingo à tardinha
    A procissão levou o povo p’ra rua
    No andor pousa uma andorinha
    Que traz a verdade nua e crua 
    P’ra Ivone que vai à igreja velhinha
  •  
  • E gorjeia que a outra está chorosa
    Por lhe ter acontecido o mesmo drama
    Foi enganada de maneira horrorosa
    P’lo homem que a levou p’ra cama
    Causando-lhe aflição dolorosa
  •  
  • E naquele afamado bairro de Alfama
    Um amor perdido encontrou a razão
    Pois é Ivone, a sua preciosa Dama
    Que lhe preenche o doido coração
  •  
  • Na velha igreja junto ao altar
    Lá estava a mentira desgostosa 
    Chorando a lágrima do perdão
    Suplicando nova vida amorosa

  • Tudo não passava de sua ilusão
  • E no Beco, se acendeu nova chama
    P’ra felicidade de um coração
    É Ivone que ele muito ama
    Terminando ali sua confusão
  •  
  • de: Fernando Ramos
publicado por Fernando Ramos às 12:25

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Dez 17

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  • DESERTO DE MEDOS
  •  
  • Atravesso o Deserto
    Como se fosse em peregrinação 
    À terra prometida
    Ele, é a minha esperança, 
    E também o meu cansaço
  • Nele, vou encontrando 
    Nuvens de areia
    Que são grãos finos instalando-se
    Na minha vida repleta
    De ilusões, e de amores
    Não conseguidos
  •  
  • Neste deserto, levo a esperança 
    Como única companheira
    E como minha ancora 
    Que me irá fazer parar na caminhada
    E terminar com os 
    Generosos dissabores da vida
  •  
  • Percorro seu chão escaldante
    E tão movediço como meus sonhos 
    que me corrói de dor, de rejeição
    De abandono, e da perda
    De paz, a minha paz
  • Maldito deserto que não consolas
    Esta sede de esperança,
    E me levas para um caminho
    Sem direcção certa,
    E de futuro pouco brilhante
  •  
  • Agora, neste mau deserto
    Aguardo apenas o sinal de Deus
    Que me irá conduzir na sua nuvem 
    Sem desespero, e sem mágoa
    Mas encharcada na paz divina
  • Onde me levará a juntar 
    A outros peregrinos
    Também eles vivendo 
    Num deserto de medos
    E que comigo caminharão
    Lado, a lado na nova travessia,
    Direito à esperança celestial
  •  
  • De: Fernando Ramos
  •  
  •  
publicado por Fernando Ramos às 19:25

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