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FERNANDO RAMOS

Minha Poesia

FERNANDO RAMOS

Minha Poesia

27
Abr17

586 - A CRIANÇA E SEU MUNDO

Fernando Ramos

 

 A CRIANÇA E SEU MUNDO

  •  
  • Um olhar
    Uma esperança
    Um sorriso
    Uma Criança
  •  
  • Um olhar, 
    de quem não percebe
    que o futuro é já amanhã,
    e que a tranquilidade lhe foge
    Esperando–lhe a insegurança,
    e o não acreditar em quem traz 
    a ganância do poder por perto
    Restando-lhe apenas
  • o bom senso
    dos homens de boa vontade
  •  
  • Uma esperança,
    esperança que a vida
    não seja tão cruel
  • como o olhar descreve
    Esperança que a justiça
  • se fortaleça e que o mundo
  • gire sempre 
    no sentido do amor e da razão
  •  
  • Um sorriso, 
    p´la natureza, que por mais
  • castigada possa estar
  • vai sempre ficar a seu lado
    nos seus momentos menos bons
  • Um sorriso por inocentemente
  • pensar que a doença,
  • e a miséria serão 
    erradicados de vez,
    e todas as crianças irão escutar
    com atenção, quando lhes falarem 
    da paz, da liberdade, e da alegria
    que a cotovia cantará 
    num monte de felicidade
  •  
  • Uma criança, 
    de olhar feliz, um sorriso fresco 
    e tão belo como a primavera carregada
    de amores perfeitos
    Que darão a todas as crianças 
    a esperança sublime de poder 
    agarrar o futuro, 
    o seu futuro de perfeição
  •  
  • de: Fernando Ramos
  •  
25
Abr17

585 - VULCÕES

Fernando Ramos

 

  • VULCÕES

  • Em redor de mim, a calmaria
    Vinda do silencio do mundo
    Mas no fundo mais profundo
    Ouve-se um ruído de vida
  •  
  • Em tons nada bonitos
    Sente-se a lava que escorrega
    Como um rio que se entrega
    Aos precipícios quentes e aflitos
  •  
  • São vulcões cheios de pó
    Que crescem em direcção do céu
    Amortalhando a vida triste e só
  •  
  • No fim, num sossego imperturbável
    Cobre-se a desgraça com um véu
    Do olhar estranho, e censurável
  •  
  • De: Fernando Ramos
  •  
24
Abr17

584 - PEQUENA PRINCESA

Fernando Ramos

 

 

PEQUENA PRINCESA 

 

  • PEQUENA PRINCESA
  • Como gostava de ser princesa
    E calçar sapatinhos de cristal
    Viver num castelo de farta mesa
    Receber brinquedos p'lo Natal
  • Quero brincar agora, que sou menina
    E de noite com as estrelas sonhar
    Engano a fome desde pequenina
    E vou levando a vida a trabalhar
  •  
  • Minha idade, é de brincar com bonecas
    Mas faço casaquinhos muito bonitos
    Gostava de beber leite em lindas canecas
    E na rua não vender docitos
  • Não devia viver na infância perdida
    E ao acordar ser feliz com a alvorada
    Sonhar com o sabor da boa vida
    E não ter a idade adulta penhorada
  •  
  • Adorava ver minha mãe sempre feliz
    E comer com os irmãos pão de centeio
    Não passo de uma menina infeliz
    Com vontade de fugir deste meio
  • Sou uma criança triste e já adulta
    Que sofre da ganância que leva ao caos
    Queria comer bem, e aprender a ser culta
    Não ser explorada por homens maus
  •  
  • Como gostava de brincar apanhada
    E com outras meninas fazer a roda 
    Precisava muito de ser amada
    E de vestir roupinhas da moda
  • Era tão bom poder jogar à bola
    Ir à praia molhar os pés no mar
    Não devia mais faltar à escola
    E sem carinho não voltar chorar
  •  
  • Sou filha de um operário Cristão
    Que finge, que a fome não rói
    Sonho com arroz e um pedaço de pão
    P'ra enganar meu estômago que dói
  • Trabalho p'ra miséria não me comer
    E sonho com bicicletas de selim já gasto
    Nelas vou pedalando a correr
    Fugindo desta sorte de mau repasto
  •  
  • Levanto-me ao tocar das seis em ponto
    P’ra mais um dia de pobreza farta
    Trabalho de manhã à noite, e já não conto
    Minhas lágrimas límpidas cor de prata
  • Sou uma menina que sonha em ser ave
    E voar pró mundo das princesas felizes
    Poisar junto de gente, que não sabe
    Do triste canto das crianças infelizes
  •  
  • de: Fernando Ramos

  •  
23
Abr17

583 - A NOITE NO ADORMECER DAS LUAS

Fernando Ramos

 

  • A NOITE NO ADORMECER DAS LUAS
  •  
  • A noite surge ao fim do entardecer
    Com seus encantos misteriosos
    É ela que nos vai dizer
    Se possui sonhos puros e gostosos
  •  
  • A noite amável e nossa amiga
    É a companheira nos afazeres
    Quer que um coração persiga
    Amores nos seus nasceres
  •  
  • E no adormecer das luas
    Na mais intima madrugada
    Laços se apertam em vidas nuas
    Num frenesim de sedução sonhada
  •  
  • Aí florescem murmúrios de amor
    Até à orla da noite bem amada
    Onde a aurora chega em esplendor 
    Trazendo o gorjear da passarada
  •  
  • Que é prenuncio de dia feliz
    P´ra amantes do mel divino
    Fazem o que a vida lhes diz
    Até ouvirem na Igreja o tocar do sino
  •  
  • De:: Fernando Ramos
  •  
14
Abr17

582 - FADO MAROTO

Fernando Ramos

  • FADO MAROTO

  • Nas altas horas da noite boa
    A cidade repousa da vida agitada
    Na velhinha tasca de Lisboa
    Escuta-se a voz, rouca e cansada
  •  
  • Um fado maroto se faz ouvir
    No ambiente castiço e sonhado
    Canta-o um fadista a sorrir
    P’lo seu poema muito engraçado
  •  
  • Ali se fica até ao raiar do dia
    Que chega de mansinho, e sem brado
    Alguém na taberna que o artista ouvia
    Pede-lhe um fado triste e chorado
  •  
  • E sem dó e sem pudor oferece o tal pedido
    Cantando um de amor sem sorte
    De uma paixão de passado sofrido
    Que aguarda p'lo chegar da morte
  •  
  • A aurora entra naqueles corações
    Ao som do último fado maroto oferecido
    E os aplausos na taberna lavam as emoções
    Da noite finda de espírito atrevido
  •  
  • De: Fernando Ramos
  •  
13
Abr17

581 - POBRE E VELHO

Fernando Ramos

 

 

 

  • POBRE E VELHO
  •  
  • Sou pobre e velho,
    e dizem que sou um pobre diabo
    Serei? 
    Talvez até tenham razão
    Sou um pobre idoso
    porque a vida assim o quer
    Sou pobre de farrapos mas forte, 
    tão forte como o florir do Jacarandá 
    Tenho o céu como meu abrigo
    Tenho as ruas como meu lar
    E no inverno tenho a fogueira 
    e um chão de cartão 
    que vai parindo calor
    pró meu aconchego
  • Sou um pobre coitado
    de coração dilacerado
    Sou apenas um pobre velho,
    que devia ter a intolerancia 
    o ódio e angústia
    como companheiros
  • mas não!
  • Apenas admiro em silencio
  • a vergonha do mundo
  • por sentir na pele a injustiça 
    pelo abandono dos velhos 
    tão sós, tão pobres 
    e miseráveis como eu, 
    que vão vagueando p´la calada da vida
    por esta cidade de contrastes
    Sou pobre sim, este é o meu destino, 
    mas relâmpagos de memória me dizem
    que se calhar bem o mereço
    Deus bem sabe o que faz,
    estarei a pagar pecados
    de outras vidas passadas?
  • Sou pobre, pobre de dinheiro e do nada
  • batendo à porta da alma todos os dias

  • Visto trapos, ando descalço, passo fome,
    ando ao frio e à chuva 
    desfolhando pétalas de solidão sobre mim
    Sou pobre e velho, bem sei
    Mas sei que dentro desta pobreza
    tenho alguma riqueza de sentimentos,
    tão rica como as flores são de formosura
    Sou pobre e velho, bem sei
    Mas sou rico de amor,
    de amor pelos outros, por aqueles 
    que ao passarem por mim,
    me olham de soslaio e de indiferença
  • A esses, dou o amor que impregna 
    o ar de paixão,
    tão forte, como forte é o perfume 
    dos jardins da minha cidade
    Jardins que calcorreio
  • e à noite pela primavera
    começam a ser doce lar
  • deste pobre velho
  •  
  • de: Fernando Ramos

 

12
Abr17

580 - PROCURA-SE A ESPERANÇA

Fernando Ramos

 

  PROCURA-SE A ESPERANÇA

  •  
  • A esperança, por aí se encontra
    Neste profundo mar de contrastes
    Onde, vagas alterosas afronta
    A canoa de sonhos, que herdastes
  •  
  • Nela, buscamos a esperança
    Uma causa perdida de tanta gente
    Resta a solidão como herança
    Da incerteza que se pressente
  •  
  • Penso que a iremos encontrar
    Em mar alto, mais dia menos dia
    Num lugar a esperança deve acostar
    Não desaparece assim por magia
  •  
  • Ela é a grande força de viver
    P’ra tantos que vão desiludidos
    Se não aparece, alguns vão obscurecer
    E seus sonhos, nela perdidos
  •  
  • Esperança, não faças mais esperar
    Oferece-nos rosas de lindas cores
    Andam lágrimas por ti a deitar
    De tristeza que nos causa dores
  •  
  • Nós, navegamos na velha canoa
    À bolina, na crista da onda calma
    Esperança, és ilusão de muita gente boa
    Vives em lágrimas gravadas na alma
  •  
  • De: Fernando Ramos
  •  
09
Abr17

579 - OBSESSÃO DESMEDIDA

Fernando Ramos

 

 

OBSESSÃO DESMEDIDA

 

Obsessão por um amor
Pode trazer desilusão
Se vem cheio de fulgor
Decerto se perde a razão

 

Algumas vezes ela é dor
que muito nos desassossega
Quase sempre é por um amor
a quem o coração se entrega

 

Leva-nos à paixão desmedida
Que é, a nossa grande loucura
Deixa no coração uma ferida
Que em nossa vida perdura

 

E se não temos cuidado
Pode-se morrer por ela
E será um triste fado
Se não nos livrarmos dela


De: Fernando Ramos

 

08
Abr17

578 - ENCONTREI UMA NINFA

Fernando Ramos

 

 

ENCONTREI UMA NINFA

 

A vida triste de vagabundo
levou-me a um oceano no norte
Por lá mareei num mar largo e profundo
buscando a estrela de minha sorte

E naquele atlântico grande e frio
uma ninfa de formosura fui encontrar
Navega em minhas veias que são um rio
no curso do coração, onde foi acostar

 Uma ancora p’ro fundo arremessei

e, a vida errante fui estabilizar
Agora, com a ninfa no oceano morarei
e nas noites amaremos ao luar       

Deixei de ser vagabundo triste e só,
e desta nova vida ela me faz gostar
De meu coração, deixaram de ter dó
p´la sorte que tive de a ninfa emcontrar   

 de: Fernando ramos 

 

07
Abr17

577 - LÍRIOS PARA MEU AMOR

Fernando Ramos

LÍRIOS PARA MEU AMOR

Meus amor não se sentia contente

E ofereci-lhe lírios para a confortar
Ela diz que amou meu presente
Fiquei feliz p'lo seu gostar

 Agora, este amor dos olhos meus 

Já sabe que não estou ausente
Ofereço os lírios germinados por Deus
Sabendo ela, o que meu coração sente

 Já não sei mais o que faça

Só peço que me vá sempre amar
A mulher que meu destino traça

Dar-lhe-ei lírios com muito ardor
A ela, que eternamente vou abraçar

Mesmo num dia que apareça a dor

 

De: Fernando Ramos

 

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