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FERNANDO RAMOS

Minha Poesia

FERNANDO RAMOS

Minha Poesia

631 - PERDI MINHA POESIA

Fernando Ramos, 14.05.22

 

 

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  • PERDI MINHA POESIA
  •  
  • Partiu de mim, a poesia
    Levaram todas as palavras já ditas
    Era pura imaginação que escrevia
    Fiquei privado dela, preso por fitas
  •  
  • Para mim, era a palavra brilhante
    E voava loucamente até à estrela
    Num licito sentimento cintilante
    Vejam lá! Acabei por perde-la
  •   
  • Palavras que eu inventava
    Que agora flutuam por ai
    Perdi poemas que amava
    A tristeza cresce em mim 
  •  
  • Minha alma, chora a solidão
  • Parte de mim foi embora
    Foi-me roubada do coração
    Deus por favor, que faço agora?
  •  
  • Estou sem minha fantasia,
    Sem meus sonhos, e minha vida
    Deixou-me só, sem alegria
    Vagueia por aí, anda perdida
  •  
  • E neste silêncio de saudade
    Te rogo, ó meu bom Cristo
    Ela é a minha esperança, e liberdade
    Se a poesia não vem, não resisto!
  •  
  • Fernando Ramos

630 - MINHAS MULHERES

Fernando Ramos, 13.05.22

 

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 MINHAS MULHERES

  •  
  • Mulheres, a minha perdição
    Brancas, Mulatas, e de outras cores
    Por todas, quase morri de tentação
    E por algumas tive dissabores
    Eram de sonho, e pouco as amei
    Mas seus segredos, eu os guardo
    Deram-me tudo na vida, bem sei
    Até seus colos como meu resguardo
  •  
  • Mulheres, que por minha vida passaram
    Nos seus regaços muito sonhei
    Em tantos leitos, todas me amaram
    Em seus lindos corpos, me aconcheguei 
    Depois... Todas elas me deixaram
    E meu coração continua sem dona
    Sofreram, porque por mim se apaixonaram
    Acabei por ficar só nesta vida tristonha
  •  
  • Às minhas Mulheres, de tantos clamores 
    Meu coração, nunca lhes entreguei 
    Deram-me tudo, tudo, com mil ardores 
    E seus murmúrios, os guardei
    Hoje, a grande tristeza me invade
    Porque delas eu tanto desfrutava 
    Agora, apenas resta-me a saudade 
    Se voltasse atrás, o coração lhes entregava

    De: Fernando Ramos

629 - O DIVINO VOU SERVINDO

Fernando Ramos, 12.05.22

 

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  • O DIVINO VOU SERVINDO

  • A vida, me deu mais do que pedi
  • Nem sei bem quanto lhe estou grato 
    Deus foi muito generoso p´ra mim
    Por aí, a vou retribuindo do meu prato
  •  
  • Sou apenas um servo de Deus
    Cumprindo um tortuoso caminho
    Tento aliviar a frágua a irmãos meus
    Assim o Divino, vou servindo
  •  
  • Um dia para ele partirei
    E vou de consciência tranquila
    Por meu destino ter sido a sua lei
  •  
  • Espero por sua decisão, agora
    E sua graça, não, irei feri-la 
    Apenas aguardo, p'la minha hora
  •  
  • Fernando Ramos

628 - O REGRESSO DO MEU SOLDADINHO

Fernando Ramos, 11.05.22

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 O REGRESSO DO MEU SOLDADINHO

  •  
  • A paixão me envolve
    Em sonhos que me deixam feliz
    Posso sorrir, e voar como o colibri
    Ou dançar um tango de Gardel
    Onde num passo mais exuberante,
    Sinto a quente saudade de ti
    Meu Soldadinho, meu amor

    Partiste p’ra guerra, de causa injusta
    E eu fiquei só, apenas só 
    Com tua imagem
  • E tuas lembranças 
    Que agora são meus loucos sonhos
  • Neles, vejo teu sorriso 
    Que é a centelha do meu coração 
    Alumiando-me o adormecer no nosso leito 
    Sentindo a tua presença,
  • Como se ela fosse real                
  •   
  • Tua imagem é o meu prazer
  • Que se prolonga p’las madrugadas
    E meu corpo, se sente envolvido 
    Por pétalas de rosas vermelhas 
    Oferecidas por tua boca
    Que em beijos, depositam
    Pedaços de amor em meus lábios
  •  
  • Como sofro de saudade...
    Que a escrevo em poemas de amor
    Saídos de mim num bailado 
    De emoções, que são minha vida
  • Envolvida nesta paixão
  • E choro, e rio
    Existindo leves fragrâncias 
    De sedução, em mim
    Esperando num ardor ansioso 
    P’lo regresso do meu soldadinho
  •   
  • Fernando Ramos

627 - PRIMEIRO BEIJO ROUBADO

Fernando Ramos, 10.05.22

 

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  • PRIMEIRO BEIJO ROUBADO
  •  
  • Vou só, pela nossa rua
    Contando as pedras da calçada
    Que tanta vez por nós foram pisadas
    E me lembro que foi ao caminhar nelas
    Que te roubei o primeiro beijo,
    O nosso primeiro beijo!

  • Também me recordo, que nós
    Com os olhos humedecidos de satisfação, 
    Jurámos amor eterno
    Que teu coração sempre o procurou,
    Dizes tu, agora no doce manso das tardes
    E eu, em resposta te digo sempre o mesmo 
    Desde esse dia: 
    Que ele seja eternamente doce,
  • Querendo continuar a fazer contigo, 
    O que a primavera oferece às cerejas
  •  
  • Tantos anos já passaram
    Desde esse primeiro beijo dado de fugida 
    E nós, ainda continuamos juntos. 
    Ele foi o inicio da nossa paixão, 
    Que no jardim próximo de nossa casa,
    Que agora o lembramos
  • Na suavidade do entardecer
    Pedindo nós, ao Redentor 
    P’ra que este amor, nem termine no paraíso 
    Que está tão próximo
    E que seja como as cerejas na primavera
    Que se não chover,
    Deus as fará crescer muito saborosas

    Fernando Ramos

626 - ESCUTAR

Fernando Ramos, 09.05.22

 

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  • ESCUTAR
  •  
  • Se eu escutasse os Anjos
    E não os homens maus
    Ouviria a voz de Deus
    Falando a meu coração
  •  
  • Se eu escutasse os mistérios da ciência
    Repletos de dom e sabedoria
    Adubaria de felicidade 
    O arco íris do meu aprender
  •  
  • Se eu escutasse da natureza
    O tanto que ela tem p’ra dizer
    Capinaria as ervas daninhas
    P´ra no caminho não esmorecer
  •  
  • Se eu escutasse o amor
    Não sofria sem razão
    Procurava a centelha da paixão 
    Que agora não me ilumina
  •  
  • Se eu escutasse 
    O murmúrio das ondas
    Não teria sede de Deus 
    Ele alagaria meu coração 
    De perfeita humildade
  •  
  • Se eu escutasse a alma
    Ouviria seus segredos
    Iluminando-me 
    O espírito de amor
  •  
  • Se eu escutasse a fé
    Vivia no meio de Deus 
    E não andaria cego
    E só na vida
  •  
  • Mas não, nunca escutei
    Sempre estive ausente
    E tenho a solidão, 
    Espinhos, e tristeza
    Como companheiras 
    Do meu infortúnio
  •  
  • De: Fernando Ramos

625 - O GRITO DO VULCÃO

Fernando Ramos, 08.05.22

 

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  • O GRITO DO VULCÃO
  •  
  • Tão profundo, é o grito do vulcão
    Explodindo lava pró infinito
    Dele, vem o sussurro ensurdecedor 
    em busca da paz, da sua paz
    Por entre cinzas, percebe-se 
    que a magma traz dor
    da rocha de intensa quentura
  •  
  • E naquela fornalha solta-se o ruído, 
    como se ele surgisse num peito 
    que anseia p’lo final do sofrimento
    Daquela ansiedade vulcânica 
    que eleva as impiedosas cinzas
  • levadas p’lo vento,
  • envolvendo a ilha, 
    da mansa ilusão do sossego
  •  
  • No prado que rodeia o vulcão, 
    vai irrompendo a generosa natureza
  • das pequenas pastagens,
  • ouvindo-se o canto dos pássaros
  • que lentamente regressam
  •  
  • O vulcão entra no absoluto silêncio
  • Adormecendo, até ao próximo grito
  • de raiva e desespero
  • Voltando a vulcânica ilha, 
    avivar a esplendorosa 
    beleza de Deus criador
  •  
  • De: Fernando Ramos

624 - O MUNDO DE COLOMBO

Fernando Ramos, 07.05.22

 

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  • O MUNDO DE COLOMBO
  •  
  • Enorme fatalidade, atroz
    Empesta o mundo de Colombo
    Em guerras feias, e contra nós
    Sofrendo a paz, enorme tombo
  •  
  • Bandeiras de países tristes
    Percorrem a miséria alheia
    Pobre soldado, um dia partistes
    P’ra guerra de causa feia
  •  
  • Colombo, América descobriu
    E não foi p'ra esta desgraça
    Do velho mundo ele partiu
    Concedendo-lhe Deus tal graça
  •  
  • De nada serve tanto progresso
    Nessa Pátria dita virtuosa
    Procuram guerras, sem regresso
    Que Colombo não acharia ditosa
  •  
  • E as Musas do mar de Colombo
    Nunca sonharam com tão triste acto
    Súplica de esperança leva rombo 
    Se paz, não se transformar num facto
  •  
  • Colombo, o grande descobridor
    Por mares tortuosos navegou
    Buscando na Nau, terras de amor
    Pró mundo novo que nem ele sonhou
  •  
  • De: Fernando Ramos

623-POEMA DA NOITE AMADA

Fernando Ramos, 06.05.22

 

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  • POEMA DA NOITE AMADA
  •  
  • Vejo gravado o teu fino corpo
    Numa rocha coberta de agua
    Fico pálido e um tanto tonto
    Beijando-a, sentindo mágoa
  •  
  • Foi um artista da pedra
    Quem na rocha o cinzelou
    Foi perfeito na sua regra
    Até ciúmes, bem me causou
  •  
  • E no brilho do entardecer
    A rocha esconde-se na onda chegada 
    Volto, a encontra-la no anoitecer
    Com a maré baixa já cansada
  •  
  • No clarão da estrela fugida
    Surge a brisa fresca da lua
    Percorre meus lábios em ferida
    Por tanto beijar, essa rocha tua
  •  
  • E uma rosa vermelha e louca
    Surge na rocha nesse amanhecer
    Vem de ti, junto da boca
    Filha de poesia de endoidecer
  •  
  • Ela é a rosa da beleza farta
    Nascida no poema da noite amada
    Tanto a beijo, na pedra amarga
    Nos lábios da tua boca desejada
  •  
  • De: fernando Ramos

622 - NÃO ME PODES NEGAR

Fernando Ramos, 05.05.22

 

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  • NÃO ME PODES NEGAR
  •  
  • Podes recusar-me o pão
    Que se esgueira p’la seara
    Podes me negar a luz
    Que se esconde na noite
    Podes recusar-me a água
    Que se perde no riacho
    Podes me negar a papoila
    Que não floriu na primavera
    Podes recusar-me a chuva
    Que neste inverno tarda aparecer
  • Podes negar-me muitas coisas
  •  
  • Agora o que não podes negar, 
    Mas não me podes recusar mesmo
    É o sorriso das crianças
    Porque então...
    Meu mundo desabava
  •  
  • De: Fernando Ramos