Minha Poesia

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Dez 19

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9-UM PAÍS DE DEUS

 Nós somos um país de Deus

Onde muito de bom aconteceu
Tivemos a Revolução que venceu
Num Portugal que tanto padeceu

O povo vagueava protestando
Senhores diziam, ser o lado errado 
Até que num bom ano, Abril apareceu
E logo, logo tudo foi mudado

Este é um bonito país de Abril
Por cá não foi só a rosa que floresceu 
As gentes são felizes por anos mil
Na liberdade que o povo mereceu

Soltaram-se os presos do contra 
E muitos ficaram contentes
Os festejos davam belas montras 
E as orquestras estavam presentes

O povo sonhava na lua 
E eram muitos, muitos mil
Cantavam trovas na rua 
Em poemas só de Abril

Neste país do herói marinheiro 
Que já fez parte dos coitados
Homens e Mulheres em cativeiro 
À muito nele viviam angustiados

O Zé veio para a estrada
Com cantigas de glória
Foi a época doce e doirada 
E lá se mudou a triste história

Entrámos na Europa da frente
O povo foi cantando feliz
O tempo, esse foi passando
E quase tudo ficou por um triz

Todos vivíamos sorrindo contentes

E entramos na CEE do progresso
Alguns actos foram imprudentes 
Houve medo, e receio do retrocesso

Mas meu povo não temeis
Dizem políticos pelo seguro
Nós estamos na Europa
E lá, é que mora o futuro

É preciso continuar a lutar
Porque é difícil a vitória
Teremos sempre de lembrar 
Que Portugal é de luta e história

Só temos de ter paciência
Não fazendo tudo às pressas
Os países evoluem sua consciência 
Com gentes de poucas promessas

Temos sempre de acreditar
Que Portugal vai crescer
E os governos têm de apostar
Nos Portugueses para vencer

Portugal lá entrou no futuro
Porque é um país de feitos
Devemos dar, um confiar seguro
Aos nos nossos políticos eleitos

de: Fernando Ramos

 

publicado por Fernando Ramos às 21:26

04
Dez 19

 

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A ARCA DA MINHA AVÓ

 Na arca da minha avó
Recordações velhas lá andarão

Talvez tristezas da vida
Coisas boas não sei se serão

Quando eu abrir a arca
Tudo sairá cá para fora
É que a arca já não se abre
Desde os tempos de outrora

A arca é muito bonita
Mas está suja de pó
Lá tem tanta magia
Já dizia a minha avó

A arca não é muito grande
E até, tem um senão
Tem de se ter muito cuidado
Quando eu abrir, com a mão

Já minha avó me dizia,
Para abrir a arca bem cedo
É que se levo muito tempo
um dia iria ter medo

Então lá abri a arca
Coisa de pasmar encontrei
Eram flores de papel de marca
Quantas lá estavam não sei

Olha lá, ó minha querida avó
Tanta curiosidade me causaste
Que faço das flores cheias de pó
Porque da arca não me desfaço

fernando ramos

publicado por Fernando Ramos às 14:41

02
Dez 19

 

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 OUTONOS
Já tudo dissemos na rua do tempo
E aqui continuamos nós lado a lado
Em todas as estações do ano
Até nas frias manhãs de Outono
Onde nossos lábios cansados 
Ainda trocam beijos roubados 
Como, se fossemos adolescentes
Meu amor, apesar dos anos
Que por nós vão passando
Ainda nos admiramos das palavras
Já há muito gastas
Aquelas onde suavemente dizemos 
Que ainda nos amamos
E ao olharmos o céu azul 
Aos fins de tarde
Trocamos sorrisos coniventes
Murmurando que estamos juntos
Como no princípio dos tempos 
Então passados
Tempos, que nos foram fortalecendo
Para outros Outonos da nossa vida
Que ainda chegarão
Juntos, caminharemos continuamente 
Vergados pelo cansaço
E também p’la felicidade 
De outros amanhãs 
Onde nos amaremos perdidamente
Dentro de lençóis que guardam
Nossos segredos nus de pudor
E trocaremos sílabas de promessas 
De outros Outonos vindouros
Que nos vão deixar para sempre 
Ligados até ao nosso final 
Ao final, que nós não queremos
Mas onde a vida de mansinho 
Irá deixar acontecer

fernando ramos

publicado por Fernando Ramos às 11:16

01
Dez 19

 

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ADEUS POETA
Foi embora um poeta
Desta vida de mil poderes
Com ele imensa cultura foi
Para a terra dos saberes
Volta poeta, volta 
P’ra ouvirmos teus dizeres
Porque tudo que sabemos
De ti, nós aprendemos
Tudo aquilo que perdemos
Jamais iremos perceber
Mais pobres de arte ficamos 
Com a falta do teu conhecer
Porquê meu amigo poeta
Tão cedo te foste embora
Porquê essa pressa amigo
Naquele dia pela aurora
O povo chora baixinho 
Lágrimas caídas na dor
O poema se sente perdido 
Na ausência do seu criador
O poeta jamais volta 
De outro lugar de viver
A cultura seus ais solta 
Nos tempos de empobrecer
O poeta não volta, não
Para mal da árdua liberdade
Todos ficaram mais pobres
Mergulhados na saudade

fernando ramos

publicado por Fernando Ramos às 22:32

30
Nov 19

 

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POBRE DA VERDADE

 Pobrezinho eu serei
Com muita dignidade
A vida me ensinou
Falar sempre verdade

A verdade dói a todos
Talvez com muita razão
Mas carrega muito saber
A um pobre de tostão

Nesta vida pobre sou
Com altiva emoção
Em outra, alguém rico ficou
Mas pobre de solidão

Os anjos que este pobre tem
A ele dizem tanto respeito
São dos bons e mais de cem
Morando dentro de seu peito

Pobre e feliz fui aprender 
De algum saber e esperteza 
Que mais poderia querer
De tamanha gentileza

Pobre da verdade não estou
E p’ra mim é um céu formoso
De poucos bens, feliz eu sou
Em meu chão bem precioso

Fernando Ramos

publicado por Fernando Ramos às 14:25

29
Nov 19

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4 - PARTIDA
Hoje partiu um amigo
Um amigo de verdade
Com ele foi uma vida
E também sua bondade
Em outros dias passados
Alguém se lembrou de ti,
E dos momentos de pecados
Que vivemos por aí
Adeus amigo que fugiste
Prós campos da eternidade
Deus quer que partamos
No espírito de humildade
Ó sinos do meu país,
Ó poetas da minha cidade
Tocai Trovas a Deus
Em poemas de saudade

fernando ramos

publicado por Fernando Ramos às 21:43

 

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3 - PARA UM GUERREIRO

Não choro pelo guerreiro 
Que é meu herói 
Mas p’la sua ausência 
Porque é aí, que mais dói

O povo do meu país
Saudades dele, muitas tem
Porque sabe que o guerreiro
Do lado de lá, não vem

Ó lutas então travadas
O meu herói já não vem
O guerreiro jamais volta
Dos lados do além

Outrora ele voltou
Das masmorras do inferno
Trazia a esperança ao povo
Dum futuro bom e sério

Com ele veio a vitória
Duma guerra longa e escura
E de lá veio a esperança
Que ainda hoje perdura

Ninguém acreditou,
No meu herói guerreiro
Porque nos anos que passou
Tantos perderam no terreiro

fernando ramos

 

 

publicado por Fernando Ramos às 16:23

 

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 2 - ESPERANÇA NO CORONEL

Foste um trovão de Abril
E quando o silencio,
E a tristeza teimava ficar
A tua alegria nos apareceu
Com honra e generosidade 
P’ra quem não tinha esperança
Obrigada p’la tua bondade
O povo, o teu povo
Jamais esquecerá teu heroísmo 
Neste inverno que se aproxima
Contigo um dia a esperança chegou
E com ela, a força da tua razão
E a Liberdade dum povo renasceu
E agora que partiste 
Nos deixas a lágrima que cai
P’lo militar que nos fez sorrir em Abril
Porque a saudade se aproxima
E com ela, novamente a solidão
(fernando ramos
12.06.2005)
(meu poema A Vasco Gonçalves - e Salgueiro Maia)
publicado por Fernando Ramos às 14:30

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1 - POMBA PERDIDA 


Nas asas da pura pomba 
Vai todo o meu amor 
Nelas voa minha vida 
E também meu pavor

Não sei o que pensar 
Se a Ave não chegar 
Será que vou morrer 
Por causa de a perder 


Ó pomba vem depressa 
E cura-me esta ferida 
Sem ti não irei viver 
Nesta selva perdida 


E, se ela não voltar 
Eu sei que vou sofrer 
Meu coração vai sangrar 
Por meu amor perder 


 Volta pomba por favor 
Tu tens a minha razão 
Sem ti perco o fulgor 
 E morro na triste solidão 


Fernando Ramos
5.06.2005 


(este foi o meu primeiro poema)

publicado por Fernando Ramos às 10:14

21
Nov 19

 

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  • SOMOS AVÓS
  •  
  • Somos avós de eterna felicidade 
  • Vivendo um profundo doce amor
  • Estamos no meio do carinho e da ansiedade
  • Vendo no olhar das netas, nosso mundo risonho
  •  
  • Sermos avós é como novamente ser criança
  • E voltar ao passado nunca tristonho
  • Povoando a vida de bonita Esperança 
  • Vivendo o momento num feliz sonho
  •  
  • São tempos por Deus abençoados
  • Os sorrisos das netas para nossa felicidade
  • Nunca perdida nos filhos amados
  • Nossos tesouros de vida de tanta vaidade
  •  
  • E quando nossas netas beijam nossa pele enrugada
  • Um brilhozinho nos olhos nos deixa a face florida
  • Enchendo de amor toda a saudade amargurada
  • Sendo para nós avós, um chão de toda a vida
  •  
  •  de: Fernando Ramos

 

publicado por Fernando Ramos às 10:48

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